RESPEITE AS CRIANÇAS!

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AS CRIANÇAS NÃO SÃO LIXO.




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PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

ENTREVISTA 62 - DAMA EM XEQUE! LARISSA YUKI ICHIMURA GONÇALVES BARBOSA

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
https://xadrezfeminino.wordpress.com/2013/07/16/dama-em-xeque-larissa-yuki-ichimura-goncalves-barbosa/


DAMA EM XEQUE! LARISSA YUKI ICHIMURA GONÇALVES BARBOSA

A jovem Larissa Ichimura conquistou recentemente o título de Campeã Brasileira Sub-20 2013. Na última semana, foi campeã juntamente com sua equipe de São José dos Campos na categoria Feminino Livre 1ª divisão na fase regional dos Jogos Abertos do Interior de SP. Está entre os 20 melhores enxadristas sub-16 do Brasil (sendo a nº 2 no feminino) e entre as 40 melhores enxadristas sub-16 das Américas. Conheça um pouco mais sobre a sua vida e o xadrez ;)  
ImagemMeu nome é Larissa e eu tenho 15 anos. Mais ou menos aos 6 anos fui introduzida por uma amiguinha, gostei do jogo, o Professor Wlamir Ursini, fundador da ONG Caminho do Sol daqui de Santo. No colégio onde eu estudava não tinha aulas então eu jogava em uma garagem com o meu primeiro professor que me ensinou como movimentar as peças. Comecei a jogar os campeonatos escolares de Santos e depois de um tempo comecei a ganhar. Foi diferente quando eu comecei a jogar torneios fora da minha cidade, em 2007 ganhei o Paulista sub-10. Foi bom porque eu vi que era possível e também me levou a ver que eu precisava treinar pra conseguir. ImagemCom isso, ganhei uma bolsa de estudos em um colégio que incentivava muito o esporte. Em 2010 eu joguei o Pan, que foi aqui no Brasil, eu me saí melhor do que esperava e acabei ficando em 15º. Em 2011, eu ganhei o Paulista, o Brasileiro e fui pra Colômbia jogar o meu primeiro torneio fora, joguei também o Mundial. Não fui muito bem no Mundial mas foi bom ter participado, eu vi o que era se dedicar ao xadrez. ImagemEm 2012 comecei o 1º ano do ensino médio em uma escola em que eu queria muito estar e foi muito difícil, consegui ganhar o Paulista sub 18, joguei os Regionais e os Abertos pela cidade de São José dos Campos e foi uma experiência maravilhosa. Em 2013, eu ganhei pela segunda vez o Paulista 18 sendo do sub 16. Joguei o FENAJ sub-18 em Manaus e fiquei em 3º.
ImagemUma semana depois de Manaus fui pra Paranavaí, perdi o ônibus, o metrô quebrou, havia muito trânsito, chegando no hotel de manhã cedo descobri que só podia entrar no quarto 12hrs com a primeira rodada marcada para 14 hrs. No primeiro dia marquei 0,5 em 2. Continuei jogando, ainda tentando vencer e aceitar o que viesse, sabia que seria difícil o 1º lugar pois estava sempre 1,5 atrás da líder. Eu não acompanhei bem o torneio apenas via o meu emparceiramento e jogava. Na penúltima rodada joguei na mesa 1 e venci, então eu vi que se ganhasse iria disputar nos critérios o pódio ( não sabia que o primeiro critério era confronto direto ). Foi uma partida tensa e eu sentia a surpresa dos expectadores afinal há duas rodadas atrás eu não tinha nenhuma chance, e eu acabei ganhando. Terminei o torneio em 1º lugar, foi bom mas eu acredito que eu tive muito sorte,todas as meninas jogaram muito bem.
Imagem
Eu sou muito grata a todos que tornam meus sonhos possíveis, principalmente ao Sega, que tem toda a paciência pra me ensinar e à minha mãe, que sem ela nada disso seria real. Muito obrigada Ellen, por me deixar partilhar um pouco de mim aqui no blog e por divulgar o xadrez feminino.

ENTREVSTA 61 - DAMA EM XEQUE! WCM VANESSA GAZOLA.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
https://xadrezfeminino.wordpress.com/2013/07/31/dama-em-xeque-wcm-vanessa-gazola/


DAMA EM XEQUE! WCM VANESSA GAZOLA

WCM Vanessa Gazola é atualmente a nº 5 do Brasil e representou o Brasil nas três últimas edições das Olimpíadas de Xadrez promovidas pela FIDE.  Tive o prazer de conhecê-la quando iniciou no xadrez e jogamos na mesma equipe algumas vezes. Conheça um pouco mais sobre esta jogadora ;)Imagem
WCM Vanessa Gazola, em suas primeiras olimpíadas em Dresden-2008
Aprendi a mexer as peças na escola quando tinha 16 anos, meu professor de Educação física montou uma equipe para competir pelo colégio e levou a gente para treinar no Clube de Xadrez de Assis, na época dirigida pelo MF Carlos Martins. Eu fui a única que me interessei e frequentava regularmente as aulas. Então fui convidada para fazer parte da equipe de Assis para disputar os Jogos Regionais. Foi quando conheci o Álvaro, que estava jogando pela cidade de Marília, ele me levou para jogar por Marília e comecei a ter aulas com ele. Como dividia meu tempo com a faculdade me dedicava pouco ao xadrez.
foto (1)
Nosso primeiro Jogos Abertos do Interior, representando Marília em Santos 2000 (3º lugar no sub-21): As irmãs Marciele e Daiana Primon, Vanessa Gazola e Ellen Giese
Imagem
Abertura das Olimpíadas de xadrez em Istambul, Turquia, em 2012
Somente em 2005 quando acabei a faculdade peguei gosto pelo estudo. Estudava em média 6 horas por dia, estava obcecada em jogar bem o Brasileiro daquele ano, e deu certo! Fiz um bom Brasileiro e achei que podia sonhar com uma vaga para a Olimpíada do próximo ano. Mas aquele brasileiro de 2006 foi a maior frustração que tive, cheguei  na última rodada precisando ganhar  de pretas da WIM Regina Ribeiro para conseguir a classificação, não era fácil, mas como tinha ganho dela no ano anterior estava confiante, mas depois de ficar completamente ganha acabei transpondo para um final com peão a mais empatado e vi o sonho da Olimpíada ir embora.
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Juliana, Vanessa, GM Magnus Carlsen, Tatiane e Vanessa: momento de tietagem
Depois de ficar um tempo sem querer ver o tabuleiro na frente me animei e voltei estudar, como recompensa joguei as 3 Olimpíadas seguintes! A mais marcante foi de 2010 na Rússia, quando tive o melhor desempenho da equipe fiz 5,5 em 8 perdendo apenas para  Zhao Xue da China.
ImagemMF Álvaro Aranha, WIM Juliana Terao, WFM Amanda Marques, WCM Vanessa Gazola e Jaqueline Pamplona, em Khanty-Mansiysk, Russia, em 2010.
Nunca acreditei que poderia ter chegado longe no xadrez, mas tive muito incentivo do Álvaro e agradeço a ele tudo que consegui até hoje.
ImagemGM Veselin Topalov e Vanessa 
ImagemTatiane Coelho, WCM Vanessa Gazola, WIM Juliana Terao, WIM Joara Chaves e WIM Vanessa Feliciano, equipe olímpica brasileira de 2008, em Dresden, Alemanha.

sábado, 3 de agosto de 2013

ENTREVISTA 60 - RALLYSON AGUIAR.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
http://cbxmuiraquita.blogspot.com.br/2012/01/entrevista-com-rellyson-aguiaro.html


SEXTA-FEIRA, 13 DE JANEIRO DE 2012

Entrevista com Rellyson Aguiar,o enxadrista do Mês

Esta é a primeira entrevista do CXM  pro quadro semanal "Enxadrista da Semana".Vamos ter a oportunidade de conhecer as opiniões de um dos enxadristas mais ativos no processo de popularização do xadrez em Santarém.Num clima descontraído Rellyson fala sobre as perspectivas do esporte xadrez no contexto municipal;dá prognósticos sobre o próximo campeão mundial que será conhecido ainda este ano e mais,por isso  não percam !!


Ok....senhor rellyson,pra começar eu te pergunto: o q te levava,o q te leva e o q te levará a sentar na frente de um tabuleiro e jogar xadrez ?

Bom, o que me levava: era a complexidade da mobilidade de peças e o movimento do jogo em si. O que me leva: é entender que a cada dia que passa eu aprendo mais e mais com este jogo. O que me levara é saber que além de sentar pra jogar eu também estou tentando ajudar a alavancar a prática deste esporte nesta cidade!!!!!!!!

Qual é o seu enxadrista predileto?e por que ?

Por ainda não ter estudado mais a biografia de outros enxadristas, pra mim é o Garry Kasparov, digamos porque eu acompanhei um pouco mais o seu lado enxadristico, além de ter lido um livro de sua autoria! Um livro bem interessante por sinal!

Como você define o seu estilo de jogo?

Tá ai uma coisa que sinceramente nao sei lhe responder. Por um lado acho que jogo posicional, mas por outro também jogo aberto com trocas de peças! Vc que já jogou comigo algumas partidas como definiria???

Eu respondo:

Se técnico for um estilo,esse seria  o seu;você demonstra nos seus lances que estudou xadrez ok.

 A que você atribui o fato do xadrez não se notório em Santarém ?

Bom!!, creio que seja a cultura. A cidade até dispõe de ótimos enxadrista, mas o apoio a eles e ao incentivo à pratica desse esporte ainda é muito pequeno! Acredito que desde 2009, quando o Governo Federal implantou o Programa Mais Educação no Brasil, o nosso sonho do xadrez expandido pela cidade começou a se tornar realidade. É a partir desse programa que nos veremos o futuro do xadrez em nossa cidade. Porque está começando com quem exatamente deve começar: as crianças.

O que você diria paras as pessoas ,que não sabem jogar e estão com vontade de aprender xadrez e que estão nos lendo agora?

Digo: Procurem o Clube de Xadrez Muiraquita. La temos enxadristas que poderão ensinar a jogar. Todos os domingos no Shopping Center 3o. piso a partir das 17:00 hr. O CXM também dispõe de professores, que fizeram capacitação para exercer essa função e atuam em algumas escolas municipais e estaduais aqui em Santarém.

Você prefere partidas com controle de tempo alto ou baixo?

Gosto dos dois tipos de controle de tempo, porém, gosto e prefitro  tempo curto!!!!

 Você tem alguma peça preferida ?

Sim. Cavalo. Pelas surpresas que ele pode fazer. "eheheh"(risos)

Quem você acha que vai ser o próximo campeão do mundo esse ano ? Anand ou Gelfand ?

Acho que ainda não vi nenhuma partida de Gelfand, porém, o Anand nos ultimos anos esta predominante juntamente com Magnus Carlsen. Acredito que Anand conseguirá manter o título.

Se motos fossem peças de xadrez,você poderia citar uma para cada uma das 6 peças diferentes do xadrez?

(risos) Essa é boa!!!! os peões poderiam ser as Pop 100; (risos) a Torre poderia ser uma CB 600cc; o Cavalo seria uma Lander 250cc; O Bispo seria uma XRE 300cc; a Dama seria uma Hayabusa 1100cc  (acho que é assim q escreve) e o Rei seria uma Harley Davidson. Acho que seria assim. Mas essa pergunta é muito engraçada e interessante, nunca tinha pensado nessa ideia. 

Pra finalisar tem alguma pergunta q eu devia ter feito e não fiz ?

Sinceramente não sei,mas creio que não.

Obrigado rellyson, pela oportunidade de te conhecer melhor!eu e todos os leitores do blog agradecemos !!!



Por Edin Oeiras.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

ENTREVISTA 59 - ZAMENHOFF: XADREZ E ESPERANTO - UM XEQUE-MATE NA BARREIRA LINGUÍSTICA.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
http://kke.org.br/artigos





XADREZ E ESPERANTO

UM XEQUE-MATE NA BARREIRA LINGUÍSTICA

Terminada a partida, surgiu o interesse em conversar com meu oponente, saber o que ele pensava da alternativa que eu tomei em relação ao final de peões, enfim, conseguir tirar mais algum proveito de tudo o que tinha aprendido durante o jogo. Havíamos vencido a barreira física jogando pela Internet, e, no entanto, permanecíamos diante de uma outra, ainda mais antiga e difícil de ser transposta: a barreira das línguas. Na ausência de uma língua em comum, estávamos ambos mergulhados no mutismo que prejudicou nosso próprio amadurecimento no jogo, e a culpa não poderia ser atribuída a nenhum dos dois, porque esse problema existe há muito tempo, sem uma solução realmente satisfatória para todos.
Quando o berço do xadrez era ainda a França do Café de la Régence, no século XVIII, impunha-se a necessidadede se saber o francês. Aos poucos, tal necessidade atravessou o Canal da Mancha e dirigiu-se para a Inglaterrade Anderssen, do primeiro campeonato mundial, e hoje pode-se dizer que o inglês é inevitável quando se buscam informações a respeito do xadrez, embora venha seguido de perto pelo espanhol de Capablanca. Nem mesmo a poderosa escola russa foi suficientemente forte para ascender sua própria língua a um posto dominante em relação às outras, mas dizem que o próprio Fisher afirmou que, para alcançar seus objetivos, teve de beber da fonte, lendo muitos livros em russo. Mas todas essas línguas ocupam apenas temporariamente essa posição dominante. Para comprovarmos essa teoria, basta nos lembrarmos da sequência na História: grego > latim > francês > inglês, e o Esperanto, língua planejada em 1887 pelo polaco Lázaro Luís Zamenhof, representa a única língua viva capaz de, efetivamente, contribuir para o entendimento entre enxadristas de todo o mundo. Seus objetivos são bem claros e lógicos: servir de língua aŭiliar para pessoas de línguas diferentes, a fim de que elas possam conservar sua própria língua, mas, ao mesmo tempo, intercambiar experiências com pessoas de outras línguas e culturas.
Ao longo de mais de 120 anos de uso, o esperanto se mostrou bastante eficaz nas relações internacionais, e hoje seu número estimado de falantes já alcança a casa dos milhões. Sua relação com o xadrez vem desde o início do século XX, quando surgiu a Liga Internacional Esperantista de Xadrez. E se já está comprovado que o cultivo do xadrez na mente de nossas crianças e jovens garante um maior domínio das áreas diretamente ligadas a ele, como a matemática, o raciocínio lógico e a concentração, também está comprovado que a aprendizagem do esperanto proporciona uma maior compreensão das estruturas da língua materna, é mais fácil de ser aprendido (porque não sobrecarrega a memória com as incoerências de uma língua estrangeira) e seu conhecimento faz economizar muitos meses quando se pretende adquirir outras línguas, caracterizando-a, portanto, como o melhor trampolim para as aprendizagens linguísticas.
Atualmente, o xadrez passa por uma fase caracterizada por variadas fontes de informação, uma fase em que surgem novos enxadristas de várias partes do mundo, e, devido à globalização e às novas tecnologias, a ligação entre todas essas pessoas amantes do jogo acontece de forma cada vez mais fácil e instantânea. Muitos livros e cursos são editados em línguas que não são tidas como línguas de prestígio, e com isso ficamos sem ter acesso a esse vasto material, tudo fica guardado como um tesouro a ser descoberto por quem tiver o “mapa da mina”. O Esperanto já foi testado inúmeras vezes como línguaponte, e sua versatilidade para a tradução de qualquer tipode texto – inclusive enxadrístico, pois é possível encontrar um grande número de informações sobre o xadrez já na língua internacional – caracteriza-o como um dos melhores “mapas” que a mente humana já inventou.
É chegado o momento decisivo: estamos a poucos lances da vitória!
O enriquecimento que o estudo do esperanto poderá oferecer é incalculável. É a opção mais lógica para que não continuemos a sofrer o afogamento no mar da incompreensão linguística, que tanto empata as chances deaperfeiçoamento de todos aqueles que desejam ascender em nossa arte. E essa atitude não renderia riscos aoenxadrista. Muito pelo contrário: seria, antes, um pequeno sacrifício, magistral eu diria, em direção ao xeque-mate na barreira que ainda reina entre jogadores de línguas diferentes.
Leandro Freitas é revisor de textos,
professor de literatura, enxadrista e esperantista,
e, atualmente, mora em São José do Rio Preto, SP.
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ENTREVISTA 58 - ERIC PIASSE, PEDAGOGO E ENXADRISTA.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).


REFERÊNCIA:




16/12/2005
‘Professor não sabe aproveitar o xadrez’

Jogador e pedagogo, Eric Augusto Piassi critica a forma que o esporte está sendo usado dentro da sala de aula

Tirar o maior proveito pedagógico possível do xadrez nas escolas. Esse é o objetivo do pedagogo, jogador e professor de xadrez Eric Augusto Piassi. Com a disputa de um mundial no currículo e uma pesquisa inédita sobre a prática e o ensino do esporte nas escolas de Bauru e região, Piassi, aos 23 anos, possui autoridade suficiente para criticar a forma que os professores estão abordando o xadrez nas escolas. “Os professores que usam o xadrez nas aulas não estão capacitados e os que estão capacitados não compreendem a noção pedagógica do jogo”, sentencia.
O envolvimento de Piassi com o xadrez começou com a ajudinha do irmão mais velho, que aprendeu o esporte primeiro. A paixão, porém quase termina se não fosse a persistência da mãe de Piassi. “Eu era um garoto pobre jogando no Bauru Tênis Clube (BTC). Minha mãe chegou a vender o café que a gente tinha para beber para comprar livros de xadrez”, recorda. Hoje, ele conta que a recompensa está nos alunos que ajudou a formar.
A ideia de trabalhar a pedagogia do xadrez surgiu aos 16 anos, quando estava na frente de alunos de uma 4.ª série. “O que eu vou fazer para despertar o interesse desses alunos? Mas eu não queria apenas ensinar por ensinar, eu queria que eles vivenciassem”, lembra.
Atualmente, Piassi continua disputando torneios - como o Franco Motoro, da Federação Paulista de Xadrez, que conquistou com sua equipe semana passada. Ele dá aulas de xadrez na rede particular, promove competições solidárias na rede pública, desenvolve sua pesquisa e ainda passa as noites treinando. Confira os trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - O que você constatou com sua pesquisa?

Eric Augusto Piassi – Constatei que os professores estão desperdiçando o potencial pedagógico do jogo de xadrez nas salas de aula. É igual àquelas aulas de educação física, em que o professor dá uma bola e manda as crianças jogarem futebol. Eles deixam as crianças jogando e não exploram o valor pedagógico que o xadrez possui. Eles não desenvolvem as competências com seus alunos. Eu fiz essa pesquisa em Bauru e região e acabei vendo que os professores que usam o xadrez nas aulas não estão capacitados e os que estão capacitados não compreendem a noção pedagógica.

JC - E por que isso é preocupante?

Piassi - Por um motivo: hoje o Ministério da Educação (MEC) está inserindo o xadrez em todas as escolas. Quem pode dar essas aulas? Apenas professores de educação física, segundo o ministério. E no curso de educação física, o xadrez não é uma matéria do currículo. Chegou um momento que eu percebi que alguma coisa estava errada. Estão, implantando um projeto, mas não tem um profissional adequado. Então, não tem como o projeto ir para frente. Quando vai, eles não conseguem trabalhar como deveriam.

JC - Como começou essa associação pedagógica com o jogo?

Piassi - Em São Carlos eu auxiliei um projeto de pós-graduação cujo tema era “Xadrez: possibilidades de recreação, criação e construção”. A professora, autora do projeto, não chegou a abordar as competências em que o jogo pode ajudar. Então isso me despertou para o tema. Muitos dos profissionais do xadrez de Bauru encaram o jogo como recreação, não como uma arma pedagógica. Entendem, por exemplo, como um ganha-pão. Tá certo. Tem que ganhar dinheiro também, mas tem de buscar um valor educacional nisso. Está faltando para esses profissionais um apoio e uma orientação pedagógica porque simplesmente jogar xadrez na aula não atinge o objetivo

JC – Como o jogo de xadrez pode ser usado?

Piassi - O interessante é que o xadrez pode envolver qualquer pessoa. Temos alunos deficientes físicos, visuais que jogam xadrez. O que eu quero mostrar é que há várias formas de trabalhar com o xadrez. Conciliando à informática, eu explico até história através do xadrez. Você pode ensinar até a guerra entre o Brasil e o Paraguai usando as pecinhas do xadrez e os alunos vão entender. A mesma coisa é com geografia. Em língua portuguesa, você pode pedir aos alunos que produzam textos sobre xadrez. Assim, a gente atinge educação infantil também. Chega na hora do recreio não é aquela correria. Eu deixo o tabuleiro para eles e eles ficam jogando.

JC - E como funciona na educação infantil?

Piassi - Nós trabalhamos com crianças, temos alunos de 4 anos, por exemplo. Pode parecer que não, mas ensinar xadrez para elas é difícil. As crianças tem de aprender o movimento, mas sem perceber elas estão brincando, jogando. É lúdico. Especialistas colocaram barreiras dizendo que não é possível jogar, assimilar. Eles dizem que a criança é muito pequena. Mas não necessariamente você precisa ensinar o xadrez bruto. Você trabalha com desenhos, familiarizando a criança e incentivando o raciocínio. É isso que eu percebi. O xadrez tem de ser visto como um fator pedagógico e não como um mero jogo.

JC – Como lidar com a reação das crianças no jogo?

Piassi – Se você cria um trauma na criança, se ela perde o jogo e a outra provoca, ela nunca mais vai querer saber de xadrez. O professor tem de estar capacitado para identificar isso e saber como sanar esse problema na sala de aula, porque senão o xadrez pode passar a ser um empecilho e não mais um auxílio. As criança tem de aprender a perder e a ganhar, mas de uma forma diferente. Então você passa valores. Por isso acho que o professor tem de saber um pouco de psicologia, pedagogia, senão você cria lacuna. Tem professores que dizem que na sua sala alguns alunos não querem nem saber de xadrez. Então eu digo que não existe aluno que não gosta, existe aqueles que não pegaram o gosto pelo jogo, que os professores não despertaram isso nele. A primeira aula minha é com teatro. Eu entro cantando com violão na sala de aula, eu faço xadrez gigante, mímica. Com isso a criança, mesmo sem jogar, diz que adora xadrez. Aí você insere o jogo. Em si, o xadrez não é difícil de aprender. Se você trabalhar bem, desperta a criança para isso. A gente faz uma troca. A gente insere uma aula de xadrez e tira uma de matemática. Os alunos nem percebem a quantidade de cálculos que estão fazendo. Só para fazer uma troca de peças, no valor de três para cinco, a criança tem que saber, tem que ter atitude, escolha, porque se ela fizer um lance errado, ela perde. Então são formas de se trabalhar em salas de aula que eu acredito que devem ser desenvolvidas.

JC - A forma como o xadrez está sendo popularizado é o que preocupa?

Piassi - As escolas têm o xadrez no projeto Escola da Família; as particulares também têm porque, se a concorrência tem, ela tem de ter também. Então, todo mundo está ensinando xadrez, mas quem está ensinando não está sabendo explorar o fator pedagógico do jogo. É uma coisa que, se não parar agora, todo mundo alertar, fizer um trabalho de troca entre professores, pedagogos, então nós teremos meramente um projeto de xadrez em sala de aula.

JC – E o lado social?

Piassi - Eu faço uma associação com o programa Escola da Família. Eles me emprestam os professores aos finais de semana e eles me auxiliam nas escolas. Nós temos 180, 200 crianças jogando nos pátios das escolas públicas. A parte bonita desse projeto é que para participar dos projetos, a gente pede alimentos não perecíveis aos alunos. E depois a gente doa os alimentos para instituições. O nosso projeto é trabalhar com xadrez na parte social. Troféu e medalha a gente consegue através de patrocinadores. A cada torneio a gente arrecada meia tonelada de alimentos e é tudo doado. As escolas particulares, que eram convidadas, mas não participavam, criaram uma outra copa. Mas está tendo um fim social? Está tendo uma ajuda no xadrez bauruense? Isso precisa ser sanado, poderíamos organizar um seminário, um congresso, um simpósio para todos os professores de xadrez serem capacitados, saber o momento de se usar a psicologia, estarem preparados e trabalhar para a formação verdadeira do educando. E não transformar o xadrez numa ferramenta de marketing.

JC - Quais são os planos futuros?

Piassi – Para ser professor de xadrez, tem de ser jogador primeiro. Eu tenho um planejamento para cada aula. Eu não estou na sala de aula só por estar. Cada aula que eu preparo tem um objetivo específico, uma metodologia. Eu vou ensinar os movimentos do xadrez, finalizações, mas junto, cidadania, ludicidade. E eu vou acumular essa minha experiência de jogador nacional e internacional, reunir com a pedagógica e, se Deus quiser, escrever um livro: ‘Metodologia do ensino de xadrez’, que era sobre o ensino do jogo de xadrez, voltado para os professores. E não tá longe. Eu já tenho umas 70 páginas escritas. Eu faço uma comparação do valor pedagógico de cada aula para cada matéria. É com essa proposta que eu quero chegar ao doutorado.

JC – Nesses nove anos de ensino, teve algum caso que te marcou?

Piassi – Um alunos de São Carlos, que não enxergava. A minha maior alegria foi quando ele jogou uma partida em um campeonato. Ele tateia as peças num tabuleiro pequeno, fala um lance e a pessoa faz o lance para ele. E antes ele era uma pessoa desmotivada e depois do xadrez ele passou a querer viver a vida. Alguns antigos alunos hoje são professores comigo e isso também me emociona.

JC – Como está o xadrez em Bauru?

Piassi – Onde tem xadrez em Bauru? Na Luso e no BTC, onde quem vai é classe média-alta. As crianças de periferia não têm dinheiro nem para pegar um ônibus. Quer dizer, isso não é um xadrez para todos. O certo seria montar lá no Jaraguá, lá na Vila Dutra, em todos os lugares ter escolinhas. Aí sim você teria a popularização do xadrez. Tentamos modificar essa visão em Bauru. Bauru está deixando os profissionais de lado. Hoje eu represento Jaú. Ano que vem pretendo jogar por São Carlos ou São Bernardo do Campo. Mas em Bauru está acontecendo isso. 


Fonte: Jornal da Cidade de Bauru - www.jcnet.com.br

ENTREVISTA 57 - CAMPEÃO BRASILEIRO, GM RAFAEL LEITÃO.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
http://xadrezdequalidade.blogspot.com.br/2012/02/entrevista-com-o-campeao-brasileiro-gm.html




Entrevista com o Campeão Brasileiro, GM Rafael Leitão!




XQ - Esperava ser campeão brasileiro sendo tão superior aos adversários?

R: Eu sempre entro em um torneio tentando jogar o meu melhor, sem pensar muito no resultado final. Não fui muito superior aos meus adversários. Fier fez apenas meio ponto a menos, além do mais todas as minhas partidas foram difíceis. Em muitas eu venci quando o resultado natural seria o empate.


XQ - Agora que assumiu a primeira posição na lista de rating do Brasil com 2640, tem pretensões de chegar a 2700?

R: Chegar a 2700 é uma meta fora da realidade para mim, no momento. Quem sabe no futuro, quando o rating inflacionar ainda mais...


XQ - Qual é a principal diferença entre os jogadores de 2700 para os de 2600?

R: Um pouco de tudo, mas principalmente o cálculo mais preciso e preparação de aberturas muito superior.


XQ - Você já foi campeão mundial Sub 12 e Sub 18. O que faltou para você figurar entre os tops do xadrez mundial?

R: Boa pergunta! Talvez não tenha faltado nada e isso simplesmente não seria possível. A verdade é que ser um jogador top é uma tarefa muito difícil. Mas com certeza ter morado na Europa teria ajudado se eu tivesse essa ambição.


XQ - Agora que foi Campeão Brasileiro, espera ser convidado para jogar algum torneio internacional?

R: Hoje em dia é mais fácil ganhar uma fortuna no bingo do que ser convidado para um bom torneio de xadrez.


XQ - Já tem algum torneio programado para este ano?

R: Apenas as Olimpíadas.


XQ - Quais são as expectativas para as Olimpíadas esse ano?

R: Expectativas, nenhuma. Mas minha meta pessoal é ganhar uma partida contra algum 2700. O resultado da equipe depende de muitos fatores...


XQ - Como funciona a preparação para as partidas nas Olimpíadas? Cada jogador se prepara individualmente ou uns ajudam os outros?

R: Preparamos individualmente, mas nos falamos para tirar dúvidas, pedir sugestões etc. Ter um treinador competente e especializado em preparação de aberturas ajudaria muito nossa equipe.


XQ - Você se considera um enxadrista profissional? E porque?

R: Sim. O porquê é muito simples: eu ganho meu dinheiro apenas jogando e dando aulas de xadrez.


XQ - Como você vê o futuro do xadrez brasileiro? Existe alguma jovem promessa que se possa figurar entre os melhores do mundo futuramente?

R: No momento não é possível falar de enxadristas que possam estar entre os melhores do mundo. Para isso muito coisa precisaria mudar no xadrez brasileiro. Em geral os enxadristas talentosos que temos não se dedicam 100% ao jogo, pois sabem das agruras de ser um profissional (se não sabem, os pais sabem!).


XQ - Como funciona a academia de xadrez rafael Leitão?

R: É uma academia virtual. Não tem uma sede física, nem CNPJ, nada disso. Foi uma forma que utilizei de chamar a atenção para o método de ensino que venho desenvolvendo e espero contribuir para formar fortes enxadristas.


XQ - Quais são seus ídolos no xadrez mundial?

R: Meu maior ídolo é Mikhail Tal. Não tanto pelo xadrez, mas por sua sabedoria e por tudo que representou.


XQ - Qual a sua partida mais bonita? 
 
R: Minha partida contra o Baburin, em Bermuda 1998 é a melhor que já joguei.


XQ - Indique dois livros que você acha essencial para o candidato a mestre.

R: Os livros do Dvoretsky em geral são ótimos.


XQ - Conte um fato curioso que já aconteceu com você em algum torneio.

R: São muitos...mas eles não podem ser publicados, rs.


XQ - Deixe suas considerações finais.

R: Um abraço a todos os amantes do xadrez!

sábado, 6 de abril de 2013

ENTREVISTA 56 - Prof. Luiz Fernando Zampa.

Perfil. Nome: Luiz Fernando Zampa Residência: São João Nepomuceno Data de nascimento: 12/02/1962 Profissão: Professor de espanhol (SESI), de inglês (particular) e de xadrez (SESI). Luiz Fernando Zampa. Fale um pouco sobre a sua história no xadrez. Como começou o seu envolvimento com este esporte? Meu contato com o xadrez foi aos doze anos no ginásio, antiga 5º série, hoje 6º ano fundamental. Eu presenciei dois amigos jogando xadrez, quando nós íamos fazer um trabalho escolar. Foi a primeira vez que eu vi alguém jogando, e logo em seguida um primo meu se dispôs a me ensinar os movimentos das peças. Aí nós começamos a brincar de xadrez sem um professor, de uma forma bem simples, em uma biblioteca escolar. Era nosso costume, todos os dias freqüentar uma biblioteca na parte da noite no centro de São João Nepomuceno. Ali a gente fazia pesquisa escolar, também aprendi a tocar violão dentro desta biblioteca. Era um ambiente muito cultural, foi quando eu tive o primeiro contato com o xadrez, brincando com alunos de escola. Você já participou de algum campeonato ou torneio como jogador de xadrez? Não. Nunca participei de torneio exceto no ano passado em umas duas ou três edições da Liga-X, mas com o meu envolvimento com os alunos, eu achei mais importante em vez de estar participando do torneio da Liga-X, dar mais assistência aos meus alunos. Então fora estes, eu nunca participei de outro evento de xadrez. E como foi o seu desempenho nas três etapas da Liga-X que você participou? Em uma eu consegui ficar em segundo lugar, na outra eu tive uma medalha de participação e na última fiquei em sexto ou sétimo lugar. Você dedica algum tempo ao estudo do xadrez? Infelizmente eu não tenho este tempo, porque como professor de espanhol e de inglês, me toma praticamente o dia todo e nas horas vagas, como eu moro com a minha mãe, eu dou assistência a ela. A gente sai pra fazer uma caminhada, vai ao supermercado fazer compras. Então no meu horário vago eu dedico à minha mãe e também a outro esporte que é o meu favorito, o número um, que é a corrida. Eu normalmente corro de dez a doze quilômetros por dia em estradas de roça. Como foi que começou o seu envolvimento como professor do SESI? Em 2005 foi inaugurada em São João Nepomuceno, a unidade do SESI com o nome de Robson Braga de Andrade, e eu me candidatei para dar aulas de espanhol. Passei nas provas seletivas e fui contratado. O vice-presidente da FIENG de minas Gerais setor Zona da Mata, me fez o convite para iniciar o xadrez no SESI, mostrar como se joga xadrez, enfim dar aquela aula inicial básica para os alunos. Então foi a partir de 2005 que nós começamos a introduzir o xadrez no SESI e eu fui como voluntário deste projeto. Quando foi em 2006 viemos pela primeira vez aqui em Juiz de Fora participar do Campeonato organizado pelo Colégio Academia, que a gente considera o Campeonato Escolar da Zona da Mata. A partir daí participarmos quatro anos consecutivos do Campeonato da Academia e depois conhecemos a Liga-X. Em 2010 viemos em apenas uma edição da Liga-X e em 2011 viemos em todas as edições e das 32 escolas participantes, nós ficamos em primeiro lugar. Este ano também estamos em primeiro lugar entre as escolas. Isto é muito importante porque vai dando experiência aos nossos alunos e motivando aos demais alunos da escola a participar deste projeto. Alunos do SESI - São João Nepomuceno Quantos alunos do SESI praticam xadrez? Estes alunos também são alunos do seu cursinho de inglês? No SESI nós temos 50 alunos aproximadamente, que treinam conosco todas as sextas-feiras. De 14:00 às 16:00 horas eu faço um treinamento de xadrez dentro da escola. A gente faz uma seletiva, um campeonato interno destes alunos para definir aqueles que vão participar dos eventos como Liga-X, o InterSesi que é os jogos do SESI e o Campeonato Brasileiro. E dos alunos que jogam xadrez, 80% são meus alunos de inglês. Também nos intervalos de uma aula para outra eu vou orientando estes alunos que estudam inglês comigo. Eu tenho uma sala onde eles ficam treinando praticamente todos os dias. O projeto do SESI é aberto para toda a cidade de São João Nepomuceno, para os alunos de escolas municipais e estudais, enfim a gente dá esta oportunidade a estes alunos de aprenderem xadrez com a gente e levar o xadrez para as escolas deles. Eu tenho recebido convites para estar implantando o xadrez nas escolas municipais e estaduais também. Infelizmente o meu tempo é restrito e eu tenho recusado estes convites, mas a partir do ano que vem eu vou analisar esta possibilidade de estar expandindo um pouco mais as nossas aulas para outras escolas. Como você disse, para trazer os alunos em torneios como a Liga-X, o InterSESI e o Intercolegial, você precisa fazer uma seletiva. Nós sabemos como é difícil deixar alguns para trás, entretanto é necessário fazer esta seleção, pois questões como condução impedem de poder trazer todos os alunos. Como você lida com esta separação? Eu procuro ser bastante honesto com os meus alunos. Por exemplo, o campeonato brasileiro tinha 20 vagas. A gente fez uma seletiva e todos os alunos sabiam que havia 20 vagas. A minha função é mais motivadora do que um professor, porque eu não tenho como pegar um aluno e fazer um trabalho de “personal trainer”, individualizar um treinamento específico para cada aluno devido a minha profissão de professor. Chega um ponto que eu falo para os alunos o seguinte: “agora vai partir para o talento individual de cada um, aquele que treinou mais, dedicou mais e estudou um pouquinho mais, agora nós vamos ver os talentos”, então quando a gente faz um torneio interno que passa a ser uma seletiva para os campeonatos, ali vai destacar aquele aluno que prestou um pouquinho mais de atenção nas nossas aulas e aquele talento individual. A partir dali começa a definir a equipe que vai participar dos campeonatos. Então para mim, às vezes, quando um aluno perde, muitos saem chorando, eu fico realmente triste, mas ao mesmo tempo restrito a quantidade de vagas que a escola disponibiliza para gente vir aos eventos. Muitas vezes a gente aprende no choro mais do que aquele que pula de alegria. Aqueles que choram, eles estão continuando a ter oportunidades para participar de outros eventos. Por exemplo, neste brasileiro, muitos alunos gostariam de estar aqui, mas não foi possível pela restrição de vagas que foram disponibilizadas pra nós. Tenho certeza que muitos vão ver o exemplo destes que vieram e a experiência dos que estão aqui, que vão levar para eles, motivação para que eles possam estar participando de futuros campeonatos. Alunos do SESI de São João Nepomuceno durane o Campeonato Brasileiro Escolar de 2012. Como você disse o seu tempo é muito escasso e com isso você não consegue ser um “personal trainer”. Como você faz para que os alunos continuem se desenvolvendo individualmente? Nós temos no SESI uma biblioteca bem vasta de xadrez. Nós temos excelentes livros e os nossos alunos têm o hábito de freqüentar a biblioteca, não só para usar os livros de xadrez, mas também os livros didáticos, a nossa turma é afiada na leitura. Então, está à disposição dos nossos alunos a biblioteca que tem no SESI. Eles também têm uma senha individualizada de um site que se chama Buho21. É um site espanhol e ali eles têm a possibilidade de jogar on-line com pessoas do mundo inteiro. Eu estou sempre disponível para eles, quando acaba a aula, eu consigo ficar ali mais meia hora a quarenta minutos para tirar alguma dúvida, jogar com um ou com outro e ajustar neste estrito limite de tempo alguns alunos. Os nossos alunos têm esta oportunidade, mas eu vejo que o maior crescimento deles é exatamente participando dos eventos, na Liga-X que é a nossa realidade. Ali tem proporcionado para eles um crescimento muito grande de ter contato com alunos aqui de Juiz de Fora e da região. Existe algum enxadrista, conhecido ou não, que você tenha admiração? No Brasil eu admiro muito o Rafael Leitão. Eu tive a oportunidade de conhecer ele em 2011 no Mundial de Xadrez da Juventude, onde eu dividi o quarto com ele. Eu já o conhecia pela personalidade que ele é, pela importância que ele tem no xadrez a nível nacional, mas eu tive a oportunidade de conhecer um pouquinho mais por ficarmos hospedados por 10 dias no mesmo hotel, então ali eu vi a pessoa que é o Rafael Leitão, o carinho e a atenção que ele tem com a gente. Eu já o conhecia através da imprensa e a partir daí passei a conhecer pessoalmente e minha admiração por ele ficou maior ainda. Ele tinha acabado de chegar dos jogos interiores de São Paulo e ganhou uma medalha. Nós ficamos hospedados no mesmo quarto. Ele fez a saída do hotel primeiro do que eu e esqueceu esta medalha no quarto. Eu peguei a medalha, guardei e passei um email para ele comunicando que a medalha tinha ficado comigo, pois ele havia esquecido no quarto e a resposta dele foi a seguinte: “Zampa eu gostaria que você ficasse com esta medalha e passasse para os seus alunos um pouquinho da minha história, da minha vida como uma lembrança da admiração que eu passei a ter por você e pelos seus alunos”, então é como se fosse uma recordação do hoje, número um do Brasil que é o Rafael Leitão para mim e para os meus alunos. De vez em quando eu levo esta medalha na aula, a gente sabe que é algo simbólico, mas foi algo de coração do Rafael Leitão. A nível internacional, eu pessoalmente admiro o Garry Kasparov, uma figura notória e o Bobby Fischer por ter quebrado aquela hegemonia soviética. A União Soviética era a melhor escola de todos os tempos do xadrez, haja vista hoje que eles mantêm aquele padrão depois da divisão da República Soviética. Ainda hoje, nestas repúblicas, os países individualizados mantêm aquele padrão que fez da União Soviética a número um do xadrez mundial. Para você, quais são as características que um enxadrista deve ter para conseguir se desenvolver? Eu acho que a principal característica é o treinamento, muito mais talvez do que aquele talento próprio que a gente vê que alguns alunos têm. Vejo que o treino, a dedicação e o empenho, são os fatores mais importantes. Ao mesmo tempo, o incentivo dos pais é fundamental porque não adianta o aluno ser um talento e nunca ter sido incentivando pelos pais ou pelo professor, enfim eu acho que vai juntando o interesse, a dedicação, o professor e os pais trazendo o filho aos eventos. Acho que isto tudo faz com que ele comece a ter bons resultados. Você tem algum objetivo ou meta em relação ao xadrez com estes alunos do SESI? Tenho. Quando a gente vai participar de um campeonato, eu traço os objetivos que a gente tem. O objetivo na Liga-X é revelar alguns enxadristas e motivar outros a participarem deste nosso projeto e buscar sempre os primeiros lugares nas categorias individuais e por escola. Então o objetivo nosso na Liga-X é fazer com que os alunos levem um troféu para casa, e como escola, estar brigando ali com as outras escolas para buscar o primeiro lugar porque essa é a nossa realidade da Zona da Mata. No Campeonato Brasileiro, o nosso objetivo é colocar alguns alunos entre os 10 do Brasil. Em 2010, no primeiro Campeonato Brasileiro que nós fomos, tivemos a oportunidade de colocar 4 alunos entre os 10, com toda a minha restrição, porque eu não sou um professor de xadrez, sou mais motivador. Conseguimos colocar 4 alunos: Arthur Sequetto, Guilherme Lucas, Brenda Ferreira e Jacymara. Em 2011 nós não participamos por questões de logísticas e neste ano nosso objetivo continua a ser o mesmo. Se a gente conseguir colocar um aluno entre os 10 do Brasil eu fico muito satisfeito. Valeu à pena toda a dedicação dos alunos, da escola, nossa e cumpriu a nossa finalidade. Como você disse, a escola soviética é um exemplo a ser seguido por outros países e o Brasil ainda tem um caminho muito longo pela frente para poder atingir um nível adequado no xadrez. Que sugestão você daria para melhorar a prática do xadrez em nosso país? Acho que o fundamental para o xadrez se desenvolver em uma nação, é começar dentro da escola. Investir nas escolas. Dentro do que eu tenho visto, muitas escolas municipais e principalmente estaduais, que são a maioria das escolas hoje no Brasil e em Minas Gerais, não tem um projeto de xadrez. É lógico que muitas outras têm. Eu tenho acompanhado aí alguns resultados de escolas. Fico muito satisfeito quando eu vejo escolas púbicas com alguns talentos de alunos de xadrez, mas acho que o que falta mais é investimento nas escolas públicas e particulares. Eu vejo muito também que depende do “paitrocinio”, às vezes o filho está em uma escola particular, mas quem está investindo é o pai, o pai é que está patrocinando, o pai é que está levando o filho no evento, está arcando com as despesas de inscrição, de hotel, de alimentação. Eu acho que a escola particular tinha que ter um carinho especial no xadrez, e começar a investir nisto. Abrir o cofre das escolas e gastar um pouco de dinheiro, levar mais alunos, colocar um professor dentro desta escola, para ali estar motivando outros alunos. Eu não tenho visto isto acontecer, mas o SESI tem feito isto, Ele não mede esforços em investir, em colocar alunos em um evento de alto nível. No ano passado nós fomos ao campeonato mundial de xadrez. Eles investiram pesado nos alunos e não cobraram resultados, pelo contrário, eles sabem que o xadrez é uma ferramenta pedagógica da escola, esta é a visão que eles têm, e com isto a gente tem o apoio total do SESI local e SESI Minas Gerais. Todo evento que nós vamos, eles patrocinam a inscrição do evento, o transporte, a alimentação, não medem esforços, dão o melhor para os nossos alunos, rede de hotelaria e livros. Então o investimento no SESI, o professor passa o projeto e eles investem 100%. Eu peço uma cota eles nos dão o dobro, hotel de alto nível, motoristas, empresas que viajam conosco são empresas selecionadas. A logística toda fica por conta da escola, há uma aprovação da gerência da escola e há uma aprovação da gerência de esporte e lazer de Belo Horizonte, que dá 100% o apoio que nós precisamos. Eu vejo que é isto, que as outras escolas tinham que ter esta visão de que o xadrez não é um esporte qualquer, é uma ferramenta pedagógica e ao mesmo tempo melhora o nível de concentração, raciocínio, cálculo, disciplina. Você tem alguma consideração a fazer? Eu só queria agradecer o carinho da AJUX que está disponibilizando este tempo para minha pessoa, para o SESI, para divulgar o nosso trabalho e gostaria de agradecer o carinho que vocês de Juiz de Fora receberam a gente de São João Nepomuceno, muito mais do que às vezes um adversário no tabuleiro de xadrez onde os alunos de São João enfrentam alunos de Juiz de Fora, mas a amizade passou a ser tão grande que a gente considera todos os alunos aqui de Juiz de Fora, não como adversários, mas como amigos, como irmãos, então é esta a nossa gratidão, minha e do SESI pelo carinho que a AJUX recebe a gente, o Haroldo da Liga-X, aos pais dos alunos daqui de Juiz de Fora sempre conosco, enfim a nossa gratidão porque isto motiva os nossos alunos a estarem treinando e a quererem estar participando de eventos importantes tanto quanto a Liga-X quanto os Campeonatos Brasileiros. Alunos do SESI de São João Nepomuceno na Liga X (FOTO). PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ). REFERÊNCIA: http://www.ajux.comuf.com/Categoria/entrevistas/