RESPEITE AS CRIANÇAS!

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AS CRIANÇAS NÃO SÃO LIXO.




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PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

terça-feira, 29 de junho de 2010

ENTREVISTA 17 - HEBERT DE CASTRO, MESTRE DA FIDE.


HEBERT CARVALHO E WILTON YOKOMITO.
Wilton Yokomizo - Herbert Carvalho, gostaria que o Sr. fizesse uma apresentação breve, da trajetória do senhor no xadrez durante a sua vida.

Herbert Carvalho - Meu pai me ensinou e deu um pequeno livro, mas eu não tinha muito com quem jogar, então eu rapidamente decorei todas as partidas que tinha no livro. O livro era escrito em espanhol, então, eu não só aprendi xadrez como aprendi um pouco de espanhol também. Era um livro muito fininho, devia ter umas 20 partidas. Desde essa época que eu penso na questão de que a bibliografia do xadrez, em português, é escassa.
Aprendi a jogar xadrez com 7 anos e rapidamente me tornei um dos melhores jogadores de São Paulo; fui vice-campeão paulista, com 12 anos, já jogava dos 15 aos 17 o campeonato brasileiro e com 20 anos, pouco menos do que isso, entre 18 e 20 anos, eu já era o técnico do Mequinho (Henrique Mecking, o melhor enxadrista do Brasil em todos os tempos) nos anos 70. Em 73, quando Mequinho se destacou no torneio regional de Petrópolis, eu já era o técnico dele e depois em 74 quando ele disputou com o Korchnoi (Viktor, "o terrível"; fortíssimo Grande Mestre russo/suíço), na cidade de Augusta, Estados Unidos, pelo campeonato mundial, eu, de novo, era o técnico dele.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://xadrezguarulhense.blogspot.com/2010/02/entrevista-com-o-mestre-fide-herbert.html

ENTREVISTA 16 - MESTRE INTERNACIONAL (M.I.) WELLINGTON ROCHA.


M.I. WELLINGTON ROCHA.

No sábado, 16.5.2009, o MI Wellington Rocha, de 37 anos, natural de Montes Claros/MG, visitou São Sebastião do Paraíso/MG. Na oportunidade, além de ministrar aulas aos principais enxadristas da cidade, concedeu entrevista ao Clube de Xadrez On-Line – CXO.

O talentoso jogador, que aprendeu a jogar xadrez aos cinco anos, ficou afastado dos tabuleiros por cerca de seis anos e voltou a jogar no fim do ano passado continua, mesmo assim, em primeiro lugar no ranking internacional da modalidade em Minas Gerais (com 2429 de rating Fide). No mesmo ranking, entre todos os enxadristas brasileiros, é o 15º.

Para ratificar sua força, o ilustre entrevistado teve, ao longo da carreira, atuações destacadas em diversos campeonatos. É tetracampeão mineiro (1989; 1993; 2001; e 2002) e detém títulos memoráveis em etapas do tradicional Aberto do Brasil (conquistados entre 1998 e 2002), bem como nos brasileiros juvenil (1991) e de jovens (1989).

Acompanhe algumas das perguntas e respostas extraídas do extenso e descontraído bate-papo com esse modesto e carismático enxadrista mineiro.

CXO – Você aprendeu a jogar xadrez aos cinco anos com seu irmão Washigton. Essa é a idade certa para se aprender, pelo menos, as regras?

- Não existe idade ideal. Inclusive, aos cinco, aprendi velho (risos), eu poderia ter aprendido bem antes, talvez aos três ou quatro anos.

CXO – Por falar em ensino de regras, você chegou a residir em Paraíso no início da última década. Inclusive, participou do pontapé inicial do projeto escolar local, ministrando uma memorável aula inaugural que serviu de exemplo para várias gerações na E.E. Paula Frassinet, no ano de 1994. Qual a sensação de fazer parte de um projeto que trouxe tantos talentos e títulos para essa cidade?

- É muito gratificante. Apesar de termos, à época, idealizado tudo isso juntos (Wellington Rocha; Érlon Braghini; Joel Borges; Gérson Peres; e Sebastião Lopes), sei que minha parcela de contribuição foi mínima, pois, apesar de nosso entusiasmo, ainda era tudo muito amador. Afinal, quando eu já nem estava mais aqui é que o projeto realmente cresceu, através da iniciativa dos outros professores, sobretudo a do Gérson. O grande trabalho estaria por vir. Só sei também que foi uma época em que meu xadrez evoluiu bastante, estudávamos muito naquele tempo. De verdade, é uma honra, de alguma forma, ter feito parte disso.

CXO – Quais livros você recomenda para um jogador candidato a mestre?

- Recomendo El Ajedrez de Torneo – Zurich 53 (Bronstein), Tratado General de Ajedrez (Grau), Predecessores (Kasparov), entre outros de autores como Watson e Dvoretsky, que possuem visão renovada.

CXO – Comente o avanço tecnológico a serviço da evolução enxadrística.

- Antigamente, para reunir partidas anteriormente jogadas era preciso esperar a publicação em um jornal ou revista (especializados). Nessa época, muitos furos enxadrísticos aconteceram porque os autores não tinham alguém confiável para checar o que publicavam. Hoje, existem programas para computador evoluídos que podem auxiliar nessa tarefa e as informações são veiculadas instantaneamente. Por outro lado, como todos têm acesso a essas informações, é importante saber separá-las. Portanto, o que vai diferenciar de uma pessoa para outra é o como cada uma vai aproveitar o que leu. Da mesma forma, se duas pessoas têm acesso ao melhor computador do mundo, o diferencial no rendimento de ambas é o método como elas utilizam esse computador. Nesse rumo, você tem que ter um plano de ação para que o programa trabalhe para lhe ajudar nesse plano, para que seus esforços realmente tenham sentido. Apesar de todas as inovações, sinto falta da época que eu não tinha um computador, porque eu era muito mais esforçado para aproveitar as poucas oportunidades que tinha.

CXO – De repente, percebendo todas essas novidades tecnológicas, vários jovens podem deixar de lado a leitura dos livros. Vai chegar o momento em que os livros perderão seu espaço?

- Não acredito. Por mais que existam livros em áudio, DVDs com vídeoaulas, softwares avançados, entre outras facilidades tecnológicas, eu, por exemplo, ainda tenho um grande prazer em abrir um livro e deitar em uma cama para lê-lo. Portanto, na minha vida, pelo menos, eles sempre terão o seu espaço. Naturalmente, os autores terão que ser cada vez mais criteriosos, utilizando todas as ferramentas disponíveis, para publicar livros realmente confiáveis.

CXO – Quais são seus os ídolos no xadrez nacional e internacional?

- São muitos. No Brasil, admiro toda essa nova geração de mestres e grandes mestres: MI Krikor Mekhitarian, GM Alexandr Fier, GM Giovanni Vescovi, entre outros. Aliás, por aqui também, gosto dos estilos dos GMs Darcy Lima, Gilberto Milos e do Rafael Leitão. No exterior, entre outros também: GM Anand (Índia), GM Kasparov (Rússia), GM Kramnik (Rússia) e o jovem GM Carlsen (Noruega).

CXO – É importante um enxadrista contratar um treinador?

- Se ele tiver condições de contratar um jogador mais forte, um GM ou até mesmo alguém que não tenha titulação, mas que seja de sua confiança, que tenha algum conhecimento para passar, acho uma experiência muito válida. Eu mesmo, agora, depois de muito tempo, por exemplo, gostaria de tentar fazer isso, de fazer aulas com algum MI ou GM. Em geral, esses especialistas são organizados, preparados para ensinar, pois viajaram para campeonatos mundiais, possuem material didático direcionado às aulas e sabem onde os alunos erram com maior frequência, ou onde poderiam errar.

CXO – A fim de ajudar novos talentos, você já pensou em trabalhar como treinador?

- Sim. Mas nunca tive essa experiência, não tenho prática. Em meus estudos recentes com o Evandro (Barbosa) por aqui, tenho aprendido bastante. Porém, não sei exatamente como é um jogador mais forte acompanhar a evolução de outro teoricamente mais fraco. Então, ainda não compreendo bem qual deve ser a metodologia. Para me ajudar, antes de qualquer coisa, gostaria de ter um acompanhamento de aula de grande mestre como um Milos, por exemplo. Para ser treinador, de certa forma, você abre mão de sua carreira de jogador. Por isso, teria que ser algo compensatório, também financeiramente.

CXO – Os bons treinadores devem ter resposta para tudo?

- Acredito que não. Em Minas, pelo respeito que têm pelo meu jogo, para ilustrar, muitos acham que eu tenho resposta para tudo. Não tenho. Isso pode acontecer até mesmo com um GM. Nas revistas especializadas, às vezes, muitos grandes jogadores comentam que absolutamente não estão entendendo nada sobre determinados momentos. Acredito que seja assim com os treinadores também.



CXO – Sua meta é ser GM?

- Pretendo tentar ser GM sim, mas não tenho isso como meta. Se eu fizer as coisas certas, talvez eu consiga. Digo dessa forma porque, quanto mais se perde tempo mais difícil fica. Entretanto, minha única meta agora é jogar o máximo que eu puder, sobretudo em termos de cálculo e análise.

CXO – O que você acha dos GMs de 2500 pontos de rating terem a mesma titulação que os GMs com rating superior a 2700?

- Sobre o tema, não tenho acompanhado as recentes discussões. Porém, é sempre difícil falar disso quando você não tem os 2700 (risos). Talvez se eu tivesse, também almejasse a diferenciação. A verdade mesmo é que não sei muito bem o que pensar sobre isso, porque não tenho sequer os 2500 de rating e não sou GM. Esses GMs tops de 2700 para cima são realmente diferenciados, isso é fato, mas de que adianta estipular um aumento nas normas ou na pontuação mínima para ser GM? Já é tão difícil ser GM. Dessa forma, quase ninguém seria.

CXO – Qual foi a melhor partida da sua carreira?

- Cada partida tem o seu valor. Às vezes um simples empate quando a gente está totalmente perdido fica marcado para sempre. Uma partida marcante para mim foi contra o Paulo Jatobá, quando me tornei MI. Assim, obviamente eu poderia enumerar várias outras partidas e explicar o porquê de cada uma delas ter sido importante. Racionalmente, não tem como você separar apenas uma. Mais recentemente, de quando eu voltei no ano passado, destaco outra partida: contra o Marlos (Damasceno), não por brilhantismo, mas sim porque foi uma partida muito clara.

CXO – No auge da carreira, você estudava quantas horas por dia?

- Cheguei a ficar 10 horas ou mais mexendo com xadrez, mas não necessariamente estudando algo específico. Tentava me imaginar jogando contra o Milos, o Kasparov, entre outros, sempre me perguntando o que eu faria se um deles estivesse ali à minha frente.

CXO – Em 2008 alguns enxadristas brasileiros (MI Krikor e companhia), ao voltar de turnê pela Europa, trouxeram bons pontos de rating e normas de GM. Essas viagens foram decisivas para melhorar o nível técnico desses jogadores?

- Às vezes nos preocupamos muito com o rating e as normas e nos esquecemos da força. O que é um MI ou um GM? É aquele jogador que tem a força, independentemente do rating. Não adianta jogar um único torneio maravilhosamente bem e inaugurar o rating com 2700, se você não tiver a força para manter essa pontuação. Antes de pisarem no avião, é certo que eles se prepararam muito. Essa é a parte que a maioria das pessoas não enxerga. Portanto, isso iria acontecer na Europa ou em qualquer lugar. Se você tem a força, o rating aparece. Quando eu conheci, através do Messenger (MSN), o Evandro (Barbosa), por exemplo, que devia ter uns 11 ou 12 anos, já conversávamos sobre esse pessoal também, eles estão levando o xadrez a sério há muito tempo.

CXO – Nessa sua volta, registre suas considerações finais.

- Fiquei muito feliz com a revelação dos novos talentos de Minas: Arthur Chiari (Belo Horizonte), Caíque Rêda (Itaúna), Fernanda Rodrigues (Belo Horizonte), João Paulo Cassemiro Marques (São Sebastião do Paraíso), Frederico Gazel (Belo Horizonte), Roberto Molina (Belo Horizonte), Sérgio Eduardo (Montes Claros), entre outros. Alguns desses foram revelados nos projetos escolares, que têm recebido muitos incentivos governamentais. Apesar disso, registro algumas sugestões para a Federação Mineira: continue incentivando o xadrez nas escolas, porém, invista mais em torneios que possibilitem aos nossos enxadristas a conquista de rating e normas, para que tenhamos cada vez mais enxadristas com títulos reconhecidos pela Fide. Para isso, os torneios fechados, são imprescindíveis. Incentivos aos principais jogadores do estado podem estimular os jogadores a melhorar o nível técnico. Finais de campeonatos mineiros com matches, similares aos de finais de mundiais, também podem ser atrativas. Tudo isso pode servir não só para melhorar o nível técnico dos enxadristas mineiros, nossos representes, mas também para estimular novos adeptos para a modalidade.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.clubedexadrez.com.br/artigo.asp?doc=857

ENTREVISTA 15 - ENXADRISTA RANGEL CAVALCANTE.


ENXADRISTA RANGEL CAVALCANTE.
Elias: Como e quando você conheceu e aprendeu a jogar xadrez?
Rangel: Eu comecei a aprender jogar xadrez quando ganhei um xadrez de plástico pequeno, com algumas instruçoes atrás. Aí me deu curiosidade de aprender, daí resolvi correr atrás para aprender e buscar conhecimento. Antes, eu jogava dama e eu era muito bom, daí resolvi desafiar mais minha mente com xadrez. Daí, minha curiosidade em aprender xadrez. Isso foi quando eu tinha uns 12 anos, hoje tenho 21 anos. Eu ganhava de todos na escola...até que conheci uma pessoa que era melhor que eu no xadrez. Isso, me fez ter mais vontade de aprender e ganhar dele. Resolvi então estudar durante um ano, até que tornei-me melhor que ele. Aí, foi aparecendo as oportunidades, me tornei professor de xadrez, montei um clube de xadrez em Paraíso e dava aulas de xadrez, na escola como volutário.

Elias: Você lecionava lições elementares de xadrez nesse clube de xadrez?
Rangel: Sim, eu gostava de usar aquele livro - Título: Xadrez Basico. Autor: D´Agostini, Dr. Orfeu Gilberto. Sempre eu pegava algumas lições deles além de partidas da internet, mas o que eu mais gostava mesmo era de promover mini campeonatos.

Elias: Os alunos do clube eram os participantes do torneio ou você abria também para a comunidade de paraíso?
Rangel: A maioria era aberta pra comunidade, mas tinhamos campeonatos fechados para testar nosso conhecimentos adiquiridos, amistosos e simultâneas.

Elias: Você era o simultanista?
Rangel: Sim, eu quase sempre ganhava, era muito bom.

Elias: E hoje como está o xadrez em paraíso?
Rangel: Depois que eu sai, não teve mais ninguem pra correr atrás e incentivar o xadrez, aconteceu que povo de dispersou.

Elias: Como foi seu primeiro contato com o xadrez da capital tocantinense?
Rangel: Foi através da Academia de Xadrez Xeque-mate. Lá encontrei os melhores daqui em Palmas. Comecei a encontrar pessoas que treinavam e estudavam. E, eu gosto de encontrar pessoas melhores que eu, pois sempre tento me superar.

Elias: Uma vez, você me ligou dizendo, que iria abandonar de jogar xadrez. Por que você tinha tomado essa decisão tão radical?
Rangel: Pois é brother, essa é uma história meio complicada.

Elias: Você pode contar um pouco dessa história complicada?
Rangel: É que eu tenho um problema.... é que tem vezes, que não consigo me equilibrar e acabo me envolvendo demais com uma coisa. E isso acaba me prejudicando. O xadrez me envolveu demais, daí aconteceu isso, que quiz tirar o xadrez da minha vida. Mas daí, eu entendi que eu podia controlar e fazer disso um lazer e desafio, para minha vida. Aprendi que eu podia conversar sobre outras coisas, além de xadrez e ter uma vida normal.

Elias: Você recentemente se filiou a federação tocantinense de xadrez, como foi seu contato com a diretoria da FTX?
Rangel: Foi ótima.... bom esse é o primeiro passo para mostrar meu estilo de jogo e fazer do meu nome mais conhecido. mas meu principal objetivo é participar de compeonatos federais. sei que é difícil ganhar, mas treinando vc acaba melhorando sua perfomace e assim se tornando melhor. é a lei da envolução: se vc estar mais preparado maiores são as oportunidades.

Elias: Você pretende disputar torneios a nível nacional tipo valendo rating CBX dentro ou fora do Estado?
Rangel: Essa é minha estratégia maior, e a tática pra conseguir isso é estudando e participando de torneios. Mas o que mais me faz crescer é a prática.

Elias: Bem, deixe uma mensagem, para os enxadristas iniciantes de Palmas-TO?
Rangel: Quando alguem dizer que é melhor que você responda o seguinte..... Não sou o melhor sou apenas o mais bem treinado, sendo assim me torno invenssível!

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.xadrezpalmas.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=39%3Aentrevista-com-o-enxadrista-rangel&catid=2%3Ainformativo&Itemid=34

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ENTREVISTA 14 - ANAND, APÓS A VITÓRIA, NO CAMPEONATO MUNDIAL DE XADREZ (31.10.2008).


VISHY ANAND (CENTRO DA FOTO).

Traduzimos uma longa entrevista de Vishy Anand, ao jornal Alemão "Der Spiegel" antes da disputa do Campeonato do Mundo.

Agora gostariamos de presentear os nossos leitores, com uma outra entrevista de Anand, após a vitória deste, no Campeonato do Mundo.

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008 - 03:00 IST

Vijay Tagore.

Trazer de volta Kasparov diz Anand.

Vishy Anand está surpreendido pelo facto deste Campeonato do Mundo ter sido um campeonato de um só sentido.

Minutos após o empate na 11ª partida, com Vladimir Kramnik, portanto obtendo o título, o Grande Mestre Indiano falou com Vijay Tagore.

01. O que é que você fez bem?

Eu assumi certos riscos. Foi um jogo que pagou bem a cartada jogada. Eu sabia que ele iria trabalhar no meu 1. e4 (peão de Rei). Portanto, decidi jogar 1. d4 (peão de Dama). Toda a sua preparação para 1. e4 foi um desperdício. No entanto, não penso que tenha sido uma surpresa para ele, porque também preparou 1. d4. Mas eu poderia ainda pôr alguma pressão sobre ele jogando peão de Dama. A outra coisa foi que eu preparei algumas agudas e interessantes variantes com as peças negras. Isto for um conceito fantástico. Eu poderia tentar duas vitórias conduzindo as negras. Valeu bem a pena, em termos de tempo.

02. Você ficou surpreendido que o jogo fosse só num sentido?

Sim. O Kramnik nunca perdeu três jogos seguidos.

03. Quanto foi o esforço despendido para ganhar o título Mundial?

Isto esgota-nos. É preciso muito esforço e energia. Posso dizer-lhe que os últimos três dias foram muito intensos. Eu poderia ter terminado o match três dias antes. De facto, o último meio ponto exegiu de mim tanto esforço como como os primeiros seis pontos juntos. Eu tinha de pensar um dia inteiro na jogo da derrota da décima partida. Fiquei a ferver lentamente. Foi um grande alívio quando o Kramnik, hoje, me ofereceu o empate.

04. A derrota na 10ª partida fê-lo lembrar-se de Sanghinagar?

Na realidade não, apesar de ter de admitir que em certo ponto passou-me pela mente.
As coisas eram diferentes. Eu tinha três pontos de vantagem, e, sentia-me confortável.

05. Qual foi a vitória mais saborosa?

Eu ganhei a 3ª, e a 5ª partida conduzindo as peças negras. Mesmo a minha vitória na 6ª partida, de brancas, foi muito satisfatória, mas nada se compara ao empate de hoje.
Foi o momento de maior satisfação.

06. Qual foi o ponto de viragem?

Os três pontos de vantagem têm que ser o ponto de viragem. Para ser mais preciso, eu penso quew a segunda vitória (no jogo 5) foi uma espécie de ponto de viragem.

07. Você preparou-se devidamente para enfrentar Kramnik? Certo?

Penso que sim. Foi-nos necessária muita preparação. Nós estavamos capazes de controlar em que direcção o match deveria seguir. Particularmente na primeira metade. Na segunda metade, ele claramente recuperou e pôs-me muita pressão.

08. O Kramnik disse algumas coisas desagradáveis antes do match. Isto espicaçou-o?

Bem, você pode imaginar o que é que teria de ouvir se eu tivesse perdido o match. Quando você vê coisas desse género, só lhe dá motivação extra. Estou feliz por não ter que ouvir mais esse tipo de coisas.

09. Você perdeu muito mal em Bilbao, justamente antes do match de Bona. Lá você esteve escondendo as suas cartas?

Foi uma desilusão, mas eu sabia que não seria capaz de me concentrar completamente. Eu não estava escondendo o meu jogo, mas não estava preparado para jogar 1. d4 (peão de Dama). Por esta ordem de coisas, eu tinha de pôr de lado esse desapontamento.

10. Você pensa ter respondido aos seus críticos, especialmente aqueles vindos da Russia, os quais dizem você não ser capaz de vencer matches?

Sim. Eu penso que não terei de ouvir mais essas afirmações. O resultado do match responde por si.

11. Você venceu em todos os formatos - rápidas, knockout, e match. Concorda que não existe nenhum jogador mais completo do que você?

Pessoalmente não vejo nenhuma falha em nenhum dos formatos. Mas tendo ganho em todos os formatos, posso adiantar que me considero um jogador completo.

12. Você está pensando em Topalov ou Kamsky?

Neste momento só estou a pensar em festejar.

13.Você está a pensar num novo match de previlégio, o qual foi também dado a Campiões passados?

Não penso que algum dia o faria. Mas, na realidade ainda não pensei realmente acerca disso. Neste momento estou demasiado cansado para pensar nessas coisas.

14.Porque é que que você foi ao teste do doping depois do match?

Não teria sido necessário, mas era uma regra da FIDE, e, nós temos de seguir o regulamento. Foi uma espécie de teste electónico.

15. A quem é que você deve por esta vitória?

A muita gente. À minha familia, e, especialmente à minha esposa Aruna, que trabalhou como uma louca. Durante todo o ano ela fez todas as negociações e acordos. Depois à minha equipa - Peter Heine Nielsen, Rustam Kasimdz, Radoslaw Wojtaszek, Surya Shekhar Ganguly. Estes tipos fizeram um trabalho fantástico. Enquanto eu dormia, estes tipos trabalhavam até às 6 e 7 da madrugada.

16. Você já bateu todos excepto Kasparov. Lamentações?

Seria fantástico se ele mudasse o seu pensamento, e, saísse da sua retirada. Eu defenitivamente farei uma tentativa. Seria muito excitante jogar contra ele de novo.

17. Você está demasiado cansado para disputar a Olimpiada?

Definitivamente não jogarei a Olimpíada. Depois de todo este trabalho, estou demasiado cansado e esgotado.

18. Você ganhou tudo. Ainda tem o fogo no estômago?

Ainda está cá. Mas pensarei acerca disso mais tarde. Neste momento o meu pensamento está a trabalhar noutras coisas.

19. Finalmente, o que é que o Vishy Anand deixa como herança para o xadrez?

Não sei. Não estou ainda a pensar acerca disso. Hoje estou com espirito de celebração.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIAS:
http://mcp-crazychess.blogspot.com/2008/11/entrevista-vishy-anand-aps-o-novo-ttulo.html
http://www.dnaindia.com/
Susan Polgar blog
Traduçao by Afonsov.
Photo from FIDE.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

ENTREVISTA 13 - ANA BAPTISTA.


FOTO 15.
Ana Baptista, bicampeã nacional feminina e campeã nacional absoluta de sub-20, concedeu uma entrevista a Mariana Pinheiro, do jornal i, a propósito da sua participação numa simultânea de 20 tabuleiros de jovens com o ex-campeão mundial de xadrez, Garry Kasparov, em 1999.



Ana tinha nove anos quando defrontou Kasparov pela primeira vez. Hoje tem 19, é campeã nacional feminina sénior e campeã nacional de sub20 absolutos, categoria que inclui rapazes e raparigas. E estava a estudar para um exame quando falou ao i.

Que perguntava a Kasparov se o reencontrasse?

Perguntava-lhe se se lembrava de uma miúda que há dez anos jogou com ele uma simultânea em Lisboa. E também gostava de saber se não tem saudades da competição. Ele agora está mais voltado para a política.

O que recorda desse dia?

Na altura, eu era uma miúda e ele era um dos meus ídolos, um dos melhores do mundo, senão o melhor e, claro, andava entusiasmada. Pensar que o ia ver ao vivo era completamente surreal. Perdi o jogo, como é óbvio, mas no fundo a vitória foi minha. Era uma alegria estar ali e ter tido a oportunidade de jogar com ele.

Dizem que o Kasparov fica muito tenso. É verdade?

De facto, costumam dizer isso., mas eu achei-o descontraído. Ele não tinha muito com que se preocupar [risos].

Como é que surgiu essa vontade de jogar xadrez ainda tão jovem?

Comecei a jogar na primária. Por acaso, foi engraçado porque, quando eu era pequena, era irrequieta. O normal seria não me interessar pelo xadrez. As pessoas olham para este desporto como uma actividade enfadonha e praticada sentada, o que não corresponde totalmente à verdade. O xadrez consegue ser um desporto bastante dinâmico, tem imensas combinações e diferentes ataques. Se pensarmos bem, são dois exércitos que se estão a defrontar numa batalha. Qualquer criança fica entusiasmada com isso.

Tags: Ana Baptista, jornal i
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Entrevista com a MI e GMF Anna Muzychuk da Eslovénia
Wednesday, November 11th, 2009
Recebi do segundo vice-presidente do Ateneo de Cáceres, Ignacio García, a informação de ter sido publicada no sítio do clube, uma entrevista com a jogadora da Eslovénia, a MI e GMF Anna Muzychuk [533 FIDE]. De acordo com Ignacio García,


PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://xadrezpt.com/blog/category/entrevist

ENTREVISTA 12 - UMA VIDA PARA O XADREZ..



Uma vida para o xadrez.

FOTOS 13 E 14.

Do alto de seus 22 anos o MI brasileiro Krikor Sevag Mekhitarian fala ao Xadrez de Guarujá sobre sua vida, xadrez e expectativas. Krikor revela além de muita simpatia e entusiasmo alguns empolgantes detalhes da tragetória de alguém que acredita no futuro do esporte.

Xadrez de Guarujá: Quem é Krikor Sevag?

Krikor: Sou paulistano, nascido em 15 de Novembro de 1986. Tenho origem armênia, por parte de pai e mãe. Atualmente curso o último ano de administração de empresas, no Mackenzie-SP. Me formo em Dezembro agora. Gosto muito de seriados, ouço música de tudo que é tipo – principalmente eletrônica e latina. Moro na cidade onde nasci até hoje, mas sempre tive e ainda tenho vontade de me mudar para o interior.

Xadrez de Guarujá: O que é o xadrez e o que ele fez por ti?

Krikor: O xadrez deve representar uns 80% da minha vida até hoje. Por meio dele, já fui a diversas cidades e países que eu nunca imaginaria conhecer, tive contato com pessoas de todas as idades e regiões do Brasil e do mundo. Gosto de pensar que ao longo desses 16 anos de prática (aprendi aos 6), fiz uma faculdade de graduação, um mestrado e um doutorado nesse esporte. Abri mão de muitas coisas para me dedicar integralmente, mas cresci muito desde o primeiro momento e não me arrependo de ter vivido dessa maneira até hoje.


Krikor contra o GM Rafael Leitão na final do campeonato brasileiro de 2008 em Recife.
Xadrez de Guarujá: Como você aprendeu a jogar?

Krikor: Aprendi aos 6 anos – em 1992 – com o meu pai (que conhecia o jogo por causa do meu tio, muitos e muitos anos atrás. Hoje, meu tio, que mora na Espanha, sempre foi e sempre será um amante do xadrez e deve ter seus 1800 de força). Eu gostava muito de quebra-cabeças nessa idade, e certo dia, tive a brilhante (ou estúpida?) idéia de montá-lo com as peças viradas para baixo. Daí meu pai imaginou que poderia ser uma idéia me ensinar os movimentos desse novo jogo. Depois de muitas e muitas e muitas derrotas contra ele, comecei a ter aulas e aos poucos aquele passatempo se transformou em grande parte do que eu sou hoje.

Xadrez de Guarujá: Como tu te preparas?

Krikor: Nesses últimos anos, já tive diferentes fases quanto ao estudo. Em certas épocas, foquei mais em livros de finais, outras em livros de partidas, e durante certo tempo, eu só resolvia problemas artísticos. Entretanto, algo que eu nunca deixei de fazer (desde, digamos 2004, quando comecei a me dedicar bem mais por conta própria), foi a preparação de aberturas e análise de partidas recentes junto ao Chessbase. Esse último tópico me deixa em ótimas condições de ter um xadrez competitivo, utilizando-se de material novo e sempre com o repertório de aberturas em dia. Agora, é importante que fique claro, que antes dessa dedicação às aberturas, é necessária uma base bem reforçada com análise de partidas de ex-campeões do mundo, estudo de finais básicos e variados, e muito, muito, muito cálculo, que é uma área bastante menosprezada por muitos e faz uma diferença estratosférica na prática. Basicamente pelo fato de que toda uma preparação de abertura e todo um plano perfeito no meio-jogo pode ir abaixo com uma falha tática. Por isso, aí vai a dica para quem esteja motivado a dedicar-se: as aberturas são importantes, mas de fato são um diferencial apenas depois do nível de 2300, 2400. Até lá, um bom conhecimento estratégico, um cálculo afiado e uma noção boa de finais não vão te deixar na mão.



Krikor contra Neuris Delgado em 2008 na Colômbia.
Xadrez de Guarujá: Que dicas tu tens pra crianças que estão aprendendo agora e querem competir?

Krikor: As últimas dicas acima são direcionadas para um nível já mais avançado. Para as crianças, o que eu gosto de ressaltar sempre é que o xadrez, deve ser praticado com prazer, acima de tudo. Afinal das contas, ninguém gosta de fazer o que não quer né? Parece meio óbvio, mas na prática não é. Eu falo isso, pois muita gente que está começando, e de fato está motivada, acaba parando cedo por razões diferentes. Às vezes, pressão dos familiares, outras vezes pode ocorrer um esforço muito grande para certo campeonato e a frustração que vem depois, em caso de não sucesso é muito negativa. Por isso, antes de mais nada, divirtam-se. Se parece chato treinar, tente fazer com que o treino não seja um momento de chatice, mas sim algo agradável e divertido a se fazer. Durante as partidas, se você fica entediado de tanto pensar (pedir a uma criança que fique 100% do tempo concentrada a partida toda não é algo saudável), pense na vida, lembre de uma música. E claro, dê o melhor que você puder de si.

Xadrez de Guarujá: Pra ti, o esporte, ou o xadrez pode ter uma função de inclusão social?

Krikor:Acredito que o xadrez principalmente pode ter essa função. Como estudos provam, e muita gente já está careca de saber, esse nosso esporte traz muitos benefícios, como melhora de concentração, facilidade de raciocínio, etc. Esses benefícios são uma forte arma para difundir o xadrez Brasil afora, e se adicionarmos os inúmeros projetos de xadrez nas escolas pelo país, é possível enxergar que a inclusão social vem acontecendo em escalas cada vez maiores. O xadrez tem esse poder de melhorar habilidades e porque não dizer – melhorar as pessoas. Em caso do xadrez conseguir um espaço forte na mídia (talvez com a exibição de partidas com ritmo de tempo mais curto e socialização do aprendizado do jogo), as iniciativas públicas se multiplicarão mais rapidamente, e com o setor privado enxergando uma oportunidade, inúmeras portas serão abertas para todos que praticam – aqueles que estão começando, e outros que já estão em nível principiante, intermediário ou avançado.

Xadrez de Guarujá:Pra ti, qual o futuro do xadrez frente ao avanço tecnológico e a internet?

Krikor:Muita gente gosta de acreditar que o xadrez um dia vai ser refutado por completo e vamos ter que mudar as regras, mudar a formação inicial das peças. Na minha opinião, isso não vai acontecer, se continuarmos com nossos cérebros como eles são hoje. Mesmo se uma máquina revolucionária hiper-mega potente aprofunde-se ao máximo, na prática temos emoções em jogo, um tempo limitado e um cérebro que não funciona tão linearmente como um computador. Acredito sim, que cada vez mais, no xadrez de alto nível, a preparação de abertura será mais importante (como já é atualmente), e a posse de uma máquina mais potente é um detalhezinho a mais para quem já conhece o jogo de ponta a ponta. Hoje em dia, a Internet dá a possibilidade para qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, entrar em contato com praticamente todo o material de ponta disponível. E o fato disso ser tão distante da realidade de 15, 20 anos atrás. Tenho certeza que a revolução está apenas começando. Novos talentos surgirão cada vez mais precocemente, e daqui um tempo, ninguém se impressionará com a trajetória de Carlsen, Karjakin. Posso estar sendo um pouco radical, mas depois que minha prima de 9 anos começou a me dar uma aula avançada de como mexer no orkut e no photoshop, não duvido de mais nada.


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Tags: Krikor, vida, xadrez
Categorias : Grandes Entrevistas

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