RESPEITE AS CRIANÇAS!

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PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

ENTREVISTA 30 - VITOR AMORIM FROIS.



Vitor Amorim Frois é enxadrista araxaense. Atualmente tem 8 anos de idade, é estudante do 3º ano do Ensino Fundamental do Colégio Atena e apaixonado pelo “Galo” (Clube Atlético Mineiro) time do coração. É uma criança feliz, tranqüila, dedicada que também gosta de outros esportes. Pratica e estuda xadrez na Academia Araxaense de Xadrez, sonha ser chefe de empresa, disputar muitos torneios e fazer mais amigos. Vitor é nota 10 na escola e de acordo com a Coordenadora do Colégio Atena, Dalva Moscardini Cardoso dos Santos, Vitor é um aluno ótimo, com muita competência em tudo que faz. Um exemplo para muitos!

Conheça um pouco da vida do mestrinho araxaense no esporte da inteligência.
Perfil
Nome: Vitor Amorim Frois
Cidade onde nasceu e reside: Montes Claros MG e reside em Araxá há 3 anos
Data de nascimento: 28/09/2002

Pai: Giovane Frois
Mãe: Nilza Amorim Pereira Frois
Rating SLX Pensado: 1665
Rating CBX: Aguardando pontuação do FENAC 2011.

Entrevista



CXM: Com qual idade e onde você teve o primeiro contato com o xadrez?



Vitor Amorim: Aos 6 anos de idade na Academia Araxaense de Xadrez em Julho de 2009



CXM: Quantos dias da semana você treina xadrez e qual a carga horária diária?



Vitor Amorim: Treinava uma vez por semana e atualmente treino 5 dias por semana, 2 horas por dia
CXM: Como você é em sala de aula e no que o xadrez te ajudou?



Vitor Amorim: Sou um dos alunos que tem as melhores notas e sou amigo de todos. O xadrez me ajudou muito na matemática e na concentração.



CXM: Você já participou de alguns torneios. Qual deles você mais gostou? Por quê?


Vitor Amorim: O torneio que eu mais gostei foi o FENAC 2011 Catanduva SP, porque conheci muitas pessoas, fiz novos amigos e aprendi novas jogadas.

CXM: Quais foram suas principais conquistas?


Vitor Amorim:
■5º melhor no Brasileiro Escolar 2009 na categoria 1º ano do Ensino Fundamental.
■Bi-Campeão do Triangulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas na Categoria sub-08 2009 e 2010
■Campeão Araxaense de Xadrez Pensado categoria sub-08 2009
■Campeão Mineiro de Xadrez Escolar pela SLX na Categoria 2º ano do Ensino Fundamental 2010
■8º Lugar no FENAC 2011 em Catanduva SP na categoria sub-10


CXM: Quais as recomendações que você daria as crianças que estão iniciando no xadrez?

Vitor Amorim: Minhas recomendações para as crianças que estão começando é dedicar e estudar muito.

CXM: Em menos de três meses de xadrez você participou do Campeonato Brasileiro Escolar de 2009 no SESC Araxá na categoria 1º ano do Ensino Fundamental. Você conquistou o 5º lugar. A que você atribui este excelente resultado em tão pouco tempo de xadrez?

Vitor Amorim: Porque eu estava animado e dedicando muito ao xadrez.

CXM: Qual outro esporte você pratica além do xadrez?

Vitor Amorim: Futebol e Handball
CXM: Fora os seus professores, você tem ídolo(s) no xadrez?

Vitor Amorim: Sim. Anatoly karpov, Garry Kasparov, Boris Spasski, Bobby Fischer e o brasileiro Giovanni Vescovi.

CXM: Qual o seu objetivo como enxadrista?

Vitor Amorim: Participar de mais torneios, outros brasileiros, mundiais por categoria, sul-americanos e nunca parar de jogar.

CXM: O que você quer ser quando crescer?



Vitor Amorim: Chefe de uma empresa.



CXM: Qual seu time de futebol do coração?



Vitor Amorim: Atlético Mineiro
CXM: Quem incentivou você a jogar xadrez?

Vitor Amorim: Meus pais e meu Professor Adriano
CXM: Neste FENAC 2011 em Catanduva SP você terminou em 8º lugar na categoria sub-10. Das 7 partidas que jogou qual foi a que mais te emocionou e por quê?

Vitor Amorim: Foi uma partida que dei Xeque-mate em 18 lances. Fiquei muito feliz!

CXM: Apesar da pouca idade, você já ensina xadrez para um colega de escola. Fale-me sobre qual é a sensação de com tão pouca idade já ensinar xadrez?

Vitor Amorim: É muito legal, também aprendo mais sobre o jogo.

CXM: Tem algum agradecimento que gostaria de registrar?

Vitor Amorim: A DEUS, ao Professor Adriano, aos meus familiares, ao meu aluno e amigo Paulo Vitor, aos enxadristas Alexandre Cobos, Eduardo da Silva, Cesar Romero Jr., Luiz Gustavo Xavier, aos meus colegas e professores do Colégio Atena e a todos que contribuíram com minhas conquistas.

REFERÊNCIA:
http://www.futebolaraxa.com.br/NOVOSITE/?p=8898

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

sábado, 10 de julho de 2010

ENTREVISTA 29 - ÁRBITRO DA FIDE IGOR LUTZ.

ÁRBITRO DA FIDE IGOR LUTZ.
Nos últimos anos ele tem sido uma das figuras mais importantes dentro do xadrez regional. Deixando de lado a carreira de jogador , Igor Lutz se tornou professor de xadrez , arbitro e organizador do maior evento enxadristico que ocorre no estado de Goiás, o Circuito Goiano de Xadrez Escolar que tem uma média de mais de 200 participantes por etapa. Assim eu escolhi essa figura para a primeira entrevista do blogger pra começar bem! Acompanhemos:

01º) LGX - Como você ingressou no mundo do xadrez?
Igor- Comecei a jogar xadrez por causa de um amigo que morava na minha rua. Ele me ensinou para que eu pudesse participar dos Jogos Internos da minha escola, quando eu tinha 11 anos. Depois de um tempo, comecei a participar de torneios promovidos pela Federação, e a princípio eu não gostava, pois não haviam jogadores da minha idade no meio do xadrez. Mas logo vieram os primeiros torneios fora do Estado, e as amizades que fiz acabaram me incentivando.

02º) LGX - Quais foram as suas principais conquistas no xadrez?
Igor - Como jogador, nenhum título realmente expressivo: Campeão Goiano sub-20 em 1998, bi-campeão da Copa Fexeg e Vice-Campeão do Aberto de Goiás em 1999
Como árbitro, o título de Árbitro Fide e o convite para arbitrar o Campeonato Continental no ano passado, foram as principais conquistas.

03º) LGX - Além de um dos jogadores de destaque que já tivemos em nosso estado , você também é um professor destacado no circuito goiano , revelando vários jogadores que hoje se destacam da mesma forma que você. O que te levou a ingressar na carreira de professor?
Igor - No terceiro ano do Ensino Médio recebi uma bolsa para estudar no colégio Carlos Chagas, por causa do xadrez, e durante esse ano eu promovi alguns torneios para incentivar os alunos. A diretora gostou da iniciativa, e assim que saí fui convidado a ser professor de xadrez da escola. Gostei muito da experiência, e desde então leciono.

04º) LGX - Como você se sente vendo um aluno seu ganhando torneios, despontando no xadrez?
Igor- Ver um aluno aprender e gostar de xadrez já é o suficiente para me trazer imensa satisfação. Porém, quando o aluno desponta, a sensação é única. Alguns deles até ultrapassaram meu nível de jogo, e conquistaram títulos que eu mesmo nunca consegui. Sinto muito orgulho de todos eles.

05º) LGX - Como você orienta os alunos que começam a se destacar no xadrez?
Igor - A orientação básica é estudar, praticar e participar de torneios. Só assim o aluno pode se tornar um jogador mais forte. Com o advento da internet, jogar partidas nos sites e acompanhar bons torneios com análises se tornou algo simples e eficaz no desenvolvimento dos alunos.

06º) LGX - Você junto com Henrique Cardoso são os realizadores do Circuito Goiano Escolar de Xadrez, um dos maiores eventos do esporte no Brasil, o que é uma contradição com a realidade do xadrez no estado. De onde partiu essa idéia, e qual a finalidade do evento?
Igor - O Circuito Escolar nasceu para preencher uma lacuna no xadrez escolar do estado. A Fexeg, com a ineficácia costumeira, nunca promoveu como deveria o xadrez de base, e o Circuito surgiu como alternativa para suprir a necessidade de torneios voltados para crianças e jovens.

07º) LGX - Na sua opinião, o que o xadrez contribui na formação do ser humano e porque ele é importante nas escolas?
Igor - Essa pergunta merece uma longa resposta, mas resumindo, o xadrez é um jogo essencialmente ético, carregado de valores e significados históricos. Como diria Tarrash, no xadrez todos são intelectualmente produtivos, e capazes de experimentar grande satisfação ao jogar uma partida. Seu encanto é peculiar.
A presença do xadrez na escola, independente se nas aulas de Educação Física, na grade curricular ou por projetos, é de grande importância para o desenvolvimento dos alunos, auxiliando no processo educativo, desde a cognição, capacidade de concentração, abstração e raciocínio lógico-matemático até o trabalho com elementos lúdicos.

08º) LGX - Mudando de assunto, você nos últimos tempos parece ter abandonado os tabuleiros, para se dedicar ao xadrez de uma outra forma, tornando-se arbitro. O que fez você partir para esse lado do esporte e o que te acrescentou quando você se tornou arbitro.
Igor - Desde o início da "carreira" de professor organizei torneios e eventos para os alunos, e isso me motivou a aprender mais sobre arbitragem. Em 2006 fiz o curso do AI Mauro Amaral e oficializei minha condição de árbitro.
Descobri que sou muito melhor árbitro que jogador!! Na migração dos tabuleiros para a arbitragem, tive a oportunidade de conhecer pessoas que colaboraram muito com o meu aprendizado.

09º) LGX-Como você avalia o xadrez hoje no estado de Goiás?E já vou perguntando o que precisa pra melhorar?
Igor-O xadrez em Goiás não poderia estar pior. Não existem torneios, incentivo, transparência...
Os clubes estão completamente parados, e a eleição (sempre fraudulenta) perpetua a péssima administração. Além disso, a Fexeg enfrenta dois processos judiciais que dizem respeito à documentação irregular e a própria eleição da atual diretoria.
O que move a diretoria da Fexeg (ou o que sobrou dela) é o jogo de interesses, como por exemplo a Bolsa Esporte, que se tornou "moeda de troca" entre jogadores e federação.
O Campeonato Goiano caiu no descrédito, como todos os outros eventos da federação, que de oficiais só têm o nome. Afinal, não são enviados para a CBX para serem calculados e reconhecidos, ou seja, não valem absolutamente nada.
Por tudo isso, entre outras tantas coisas, escolhi me filiar pelo Distrito Federal, assim como Luciano Alves, Henrique Cardoso e todos os nossos alunos. É a única forma de termos certeza que o dinheiro não será embolsado pelos nossos atuais dirigentes.
Para que tudo isso mude, é preciso a total reformulação da forma de eleição da diretoria da Fexeg por uma mais justa e transparente, que não dê direito de escolha a pessoas ou entidades que estão completamente desvinculadas do xadrez goiano, e que favorecem a manipulação e fraude. Esse seria o ponto de partida.
Além disso, a reativação e fortalecimento dos clubes do interior, a promoção de eventos sérios, a justa distribuição da Bolsa Esporte (a quem realmente merece, e não a quem apóia as malandragens da diretoria) e a promoção do xadrez escolar podem ser pontos que tornem o xadrez em Goiás atrativo novamente, digno de respeito no Brasil.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://ligagoiana.blogspot.com/2010/02/entrevista-com-af-igor-lutz.html

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ENTREVISTA 28 - TOM FELTON.

TOM FELTON.

Tom Felton fala de tecnologia e Xadrez online com o elenco de Harry Potter
Comentários desativados
28 de novembro de 2009 às 7:54 por Felipe | Categorias: Atores Potterianos, Entrevistas, Tom Felton |

Tom Felton (Draco Malfoy) foi entrevistado recentemente pelo jornal The Guardian sobre suas escolhas de tecnologia, e como ele e os membros do elenco de Harry Potter sentaram e jogaram xadrez online, através de seus iPhones nos sets de filmagem.

01º) Qual é a sua parte favorita de tecnologia, e como isso tem melhorado a sua vida?

“Eu não quero soar como se eu fosse seguir a multidão, mas tem que ser o iPhone. Durante o último ano e meio tem sido a paixão da minha vida.”

02º) Quando foi a última vez que você usou, e para quê?

“Eu estou usando agora [para fazer esta entrevista]. A última coisa que eu sou viciado é neste app (aplicativo), Xadrez com amigos, e você pode jogar com qualquer um que tem um iPhone. A maioria do elenco de Harry Potter e a produção tem, e estamos sempre jogando xadrez contra os outros.”

As perguntas e respostas completas da entrevistas podem ser lidas em “Leia Mais”!


TOM FELTON – THE GARDIAN

03º) Que recursos adicionais que você adicionaria se pudesse?

Oh Deus, você sabe o que seria realmente bom para mim é um localizador de cachorro – seria poupar-me a hora que eu tenho que gastar procurando meu cachorro.

04º) Você acha que ele será obsoleto dentro de 10 anos?
É impossível dizer. Eu não posso ajudar, mas penso que este é apenas o começo para os celulares da Apple.

05º) O que frustra sobre tecnologia em geral?

Você odeia quando as coisas se acidentam – quando não tem culpa pessoal, mas simplesmente não funcionam mais. E a outra coisa que eu não suporto é quando os outros países estão tecnologicamente tão longe de nós.

06º) Existe alguma determinada parte de tecnologia que você odeia?

Carregar o celular, porque eu sou um tecnológico. Eu estou sempre comprando aparelhos, especialmente em aeroportos. Eu comprei recentemente um conjunto de fones de ouvido sem fio, e pensei que era bacana… mas a qualidade do som era péssimo e parecia um marciano.

07º) Se você tivesse uma dica sobre como obter o melhor proveito das novas tecnologias, o que seria?

A primeira coisa que faço com qualquer coisa nova é entrar no YouTube e procurar por um vídeo “como fazer”. Ir on-line e fazer perguntas é a melhor maneira de aprender.

08º)Você se considera ser um lúdico ou um nerd?
Eu sou um pouco mais de um – Eu tenho que ser a primeira pessoa a começar coisas novas quando saem. Eu sempre quero comprar e experimentar novos gadgets.

09º) Qual é a parte mais cara de tecnologia que você já teve?
Provavelmente a minha indulgência única real ao longo dos últimos anos tem sido os carros, eu os amo. Eu conduzo um BMW, no momento, um Z4, e que é bastante técnico.

10º) Mac ou PC, e por quê?
Eu teria dito PC incessantemente ao longo dos últimos 12 anos, porque é tudo que eu sempre usei. Mas há oito meses eu tenho um Macbook e têm vindo a utilizar, que desde então. Eu gosto do Windows, mas para a satisfação do usuário, ele tem que ser o MAC.

11º) Você ainda comprar suportes físicos como CDs e DVDs, ou faz o download? Qual foi sua última compra?
Raramente, ele deve me disse. iTunes tem sido uma das maiores vantagens para mim nos últimos cinco anos.

12º) Mordomos Robos – uma boa idéia ou não?
Soa tentador, mas há sempre aquele medo de que poderia dar errado. Eu acho que pegaria um mordomo humano ao invés de um robô.

13º) Qual peça tecnológica você mais gostaria de possuir?
Eu tenho um bocado de um jardim e eu adoraria um hovercraft para contorná-la – um dos quatro grandes os lugares com o ventilador na parte traseira.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIAS:
http://www.clubedoslugue.com/atores-potterianos/tom-felton-fala-de-tecnologia-e-xadrez-online-com-o-elenco-de-harry-potter
http://crazystars.files.wordpress.com/2008/08/tom_felton_.jpg

ENTREVISTA 27 - VELIKA: O XADREZ É UMA ESCOLA DE VIDA.

O jornal online 16×16, publica, hoje uma interessante entrevista com o xadrezista de origem checa, da Associação Académica de Coimbra (A.A.C.), o GM Petr Velicka, radicado no nosso país desde 2004.

Na entrevista com Diana Mota, «fala da sua paixão pelo xadrez, da modalidade no nosso país e da sua ligação à Associação Académica de Coimbra» para onde veio treinar a equipa.

Pela importância, permito-me publicar os seguintes excertos desta entrevista

Que lugar considera ter o xadrez, no nosso país?

Portugal tem poucos torneios, poucos livros, tradição e não tem jogadores muito fortes. Tem apenas dois grandes-mestres activos. Falta sistema, apoios, o que é importante pois sem dinheiro nada se consegue e o xadrez nem tem muitos gastos! Temos por exemplo Espanha, que tem tudo isto e há mais competição, que é muito importante dentro dos países. Os portugueses não têm adversários no país e acabam por ter de jogar fora, o que torna tudo mais difícil pois ou têm de estudar ou trabalhar. Perdem-se muitos talentos assim. No meu país, como em muitos outros, os cafés todos têm tabuleiros de xadrez para jogar e cá é um erro não ser assim.

Há falta de tradição de xadrez aqui. Muitas crianças começam a jogar e perdem a vontade por falta de incentivos e visão de futuro…

Pois. É preciso organizar a vida para o xadrez, que é bom porque aumenta a disciplina, a concentração… Podemos aproveitar os ensinamentos para tudo na vida prática.

E, como mensagem, a terminar

Sempre digo que é muito importante estudar. Há quem tenha mais ou menos talentos, mas ao estudar aprende-se e nunca é tempo perdido. O xadrez é tipo uma escola de vida e é importante desenvolver o pensamento, o intelecto desde criança. Ninguém pode viver só do talento, é preciso muito trabalho. Mas quero também dizer que é importante divulgar esta modalidade para conseguir mais apoios e publicidade porque só com o esforço de todos se conseguem resultados.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://aladerei.blog.pt/tag/16x16/

ENTREVISTA 26 - CARLOS OLIVEIRA DIAS.

Entrevista a Carlos O. Dias.
Será publicada já no novo Ala de Rei, a partir de 1 de Outubro, a entrevista que Carlos Oliveira Dias, árbitro, jogador e presidente da Associação de Xadrez de Leiria, concedeu, em exclusivo, ao blogue Ala de Rei, no passado dia 9 de Setembro, antes do início da última sessão da fase final do Campeonato Nacional Individual Absoluto 2007.

A propósito, Carlos Dias, iniciou a sua participação no jornal de xadrez 16×16, com um artigo soobre a artbitragem - O árbitro: formação técnica, humana e sócio desportiva - que, não obstante, estar datado de Junho de 1999, mantém a sua actualidade, constituindo, por isso, um texto importante para quem se inicia na arbitragem ou necessite de alguma reciclagem e que o autor distribue como materail integrante nos Cursos de Arbitragem que tem dado por todo o país.

Não esqueçam que o Ala de Rei mudou para aladerei2.blogspot.com.

Publicado por Francisco Vieira em 17:55:42 | Permalink | Sem Comentários »
Terça-feira, Julho 31, 2007
O presente e o futuro do xadrez português!

Publiquei no jornal online 16×16 o artigo O presente e o futuro do xadrez português! do qual me permito transcrever os seguintes excertos:

O jornal online 16×16 está de parabéns ao entrevistar os presidentes das Associações Distritais de Xadrez e a publicá-las, semanalmente, aos sábados. Nestas últimas semanas tivemos a oportunidade de conhecer os pontos de vista de Fernando Castro (AX Braga), Manuel Pintor (AX Porto), Armanda Plácido (AX Lisboa) e Vítor Carlos Mira (AX Setúbal).

Resulta das entrevistas que os problemas do xadrez são gerais, mas, nem todos eles são sentidos da mesma forma, por culpa da criatividade das associações e dos seus dirigentes. Do que li, retiro que o xadrez está «regular» ou «estável», mas, não se consegue expandir a outros concelhos para além dos muito poucos onde existe.



Distritais de Braga, Porto, no norte onde se concentra a maioria dos xadrezistas

Sintetizando, e por palavras dos próprios, «A evolução do xadrez em Portugal, tal como outras modalidades que não geram receitas, está comprometida» (AX Setúbal), «a estrutura nacional do xadrez não tem evoluído e acompanhado as necessidades que essas apostam colocam, estando por resolver as suas debilidades intrínsecas» (AX Porto), «vivemos de subsídios e com a agravante de vivermos acima das nossas possibilidades» (AX Lisboa) e «há muito para fazer. [Porque] Portugal poderia ter, para termos uma situação equivalente à de Espanha, na ordem dos 10.000 praticantes federados» (AX Braga).



Distritais de Lisboa e Setúbal, no sul onde se concentra a maioria dos xadrezistas

De facto, a meu ver, a situação está apenas ou sobretudo, se assim quiserem, no xadrez escolar. Mas, quando falo no xadrez escolar não me refiro ao xadrez nas escolas que é o que tem existido no nosso país e poucos resultados sustentáveis tem transmitido.

O xadrez pode e deve ser ensinado e praticado nas escolas como uma actividade extracurricular, como uma modalidade desportiva – desporto escolar – como tem acontecido, melhor ou pior até ao momento, ou então, como eu defendo, como uma disciplina integrada na actividade curricular escolar normal.

Como salienta a educadora infantil Dilair Dâmaso:

«Consideramos importante esclarecer que existe, naturalmente, uma pequena diferenciação no enfoque quando vamos ensinar o xadrez com o objectivo estritamente para a prática desportiva, o xadrez competitivo e aquele voltado para o aspecto escolar, com fins pedagógicos, ou mesmo como forma de intervenção psicopedagógica». [sublinhado meu FV]

Por isso, os Planos de Desenvolvimento de Xadrez (PDX), como têm sido chamados, deverão, a meu ver, respeitar apenas o xadrez desportivo ou competitivo, e, portanto, ser ministrado apenas pelos monitores ou instrutores com certificação da FPX, nas escolas ou outros locais acordados com as Autarquias que os poderão ou deverão subsidiar na totalidade, na falta de «apoios privados», através, por exemplo de Protocolos.

Mas, o xadrez escolar, enquanto modelo ou ferramenta educativa, deverá apenas ser ministrado por professores e integrado na estrutura curricular do ensino oficial básico e secundário, constituindo parte integrante do desenvolvimento cognitivo e psicossocial das crianças e jovens do nosso país.

Em ambos os casos deverão ser constituídos Protocolos com as Autarquias, que é quem tem a responsabilidade pela gestão das Escolas, excepto, no caso da contratação de professores. Mas estes dossiers devem ser muito bem preparados, por forma a sensibilizar e mobilizar a comunidade educativa e municipal para o novo paradigma que deverá ser a utilização do xadrez na escola como modalidade desportiva, a exemplo, do andebol, basquetebol, voleibol, badminton, natação e como ferramenta educativa para o desenvolvimento cognitivo e psicossocial.


PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://aladerei.blog.pt/tag/16x16/

ENTREVISTA 25 - VASSILY SMYSLOV - POR VLADMIR ANZIKEEV.

SMYSLOV.

Entrevista com Vassily Smyslov - por Vladimir Anzikeev.
Eu ainda sou necessário nesse mundo...

(Traduzido do inglês por Vanessa Rodrigues e enviado por Luiz Roberto Costa Jr.)

Existem interessantíssimas entrevistas publicadas na Rússia, mas a maioria não é acessível para as pessoas que não falam a língua. Para melhorar a situação, nós planejamos traduzir algumas. Gostaríamos de iniciar com uma interessante entrevista, levemente controversa, com o sétimo campeão mundial: Vassily Smyslov!

Smyslov, 83 anos de idade, é quase cego agora, mas ainda cria no xadrez – é ativo na composição de problemas de xadrez.

A entrevista que se segue foi enviada pelo jornalista e poeta russo Vladimir Anzikeev para Shakhmarnaya Nedelia (Chess Week).

1º) Vamos falar sobre a natureza divina e diabólica do xadrez.

Como qualquer atividade humana o xadrez tem duas origens: a divina e a diabólica. O xadrez como uma arte tem uma origem divina, enquanto que como um esporte (quando conquista resultados a qualquer preço sacrificando a beleza do jogo), caminha para o diabo. Há uma notável evidência sobre isso agora. Depois de tudo, um computador é coisa nenhuma se não o diabo, porque não cria coisa alguma. É um inspetor, ou mais precisamente, um acusador. No seu livro ‘Meus Geniais Antecessores’, Garry Kasparov destacou que computadores podem examinar as partidas dos grandes jogadores de xadrez e mostrar seus erros. Agora dá a impressão que brilhantes combinações de Alekhine, Tal e outros maravilhosos jogadores foram defeituosas.
Apesar disso, o mais atraente sobre xadrez é o conflito de personalidades e suas emoções sobre o tabuleiro, com todos seus erros. Computadores não se enganam, mas isso não extingue o esforço. O talento dos grandes jogadores e suas combinações provam isso. O que nós experimentamos sobre o tabuleiro é mais importante. Nós pensamos artisticamente. Cada tentativa para se compor um genuíno jogo pelo computador nega o lado criativo (divino) do xadrez. Cada pessoa devia antes de tudo mostrar sua origem divina. Então, se o computador refuta o jogo de Lasker – isso quer dizer que Lasker não é mais um notável jogador? Nós estamos muito satisfeitos com as excelentes combinações, e falhas são detalhes menos importantes.
Como na realidade, no xadrez existem dois exércitos frente a frente. Se o resultado pode ser calculado pelo computador, qual a razão para se lutar? Na batalha de Austerlitz, Napoleão tinha 40.000 soldados. Seus inimigos excediam-no em número – quase dois por um. Além disso, eles estavam em uma posição melhor. O computador aconselharia Napoleão a render-se de uma vez. Máquinas não consideram fatores psicológicos. Na batalha de Austerlitz, os inimigos de Napoleão ou perderam seus ânimos ou foram apenas estúpidos, pois deixaram suas posições melhores por outras mais deficientes. Napoleão foi um gênio e direcionou o exército inimigo contra toda a lógica.
Antes de tudo, jogadores de xadrez são seres humanos que dependem de suas emoções. Eles não estão isentos de falhas, devem até cometê-las. O xadrez reflete a essência da natureza humana, incluindo idéias, criatividade e ilusões. O lado emocional do jogo exerce um considerável papel. Quando nós lemos: “Se não tivesse sido... teria...”, isso é impossível porque não existem ‘Ses’! Não é tão fácil tornar-se um campeão mundial. Uma vez eu indaguei quais seriam os dez melhores jogadores do século. Essa é uma pergunta errada. Cada campeão refletiu sua idade e o espírito de seu tempo. Desta maneira podemos dizer que a história promoveu tais jogadores.

2º) Atualmente, computadores trabalham para encontrar equívocos e ditarem padrões. Então levanta-se a questão: o xadrez está realmente morrendo?
(como na "morte por empate" predito por Capablanca). Os jogos não estão sendo interrompidos, computadores calculam tudo e começam a substituir os seres humanos. Uma vez eu disse que computadores deveriam ser apenas auxiliares.

3º) O que os jogadores de xadrez farão quando forem completamente substituídos por computadores? Eu discuti esse problema com Botvinnik e ele me disse: “Eles operarão as máquinas. Os melhores jogadores superarão as melhores máquinas”.

4º) Que tipo de idéia divina forma a base da vida humana?
Viver e experimentar todas as coisas é o sentido da humanidade. É impossível ganhar no xadrez sem sentimentos (como meu amigo Levenfish me disse). Às vezes nós experimentamos uma inacreditável gama de emoções. As pessoas estão expostas a enormes suplícios nervosos, cada derrota é um protótipo da morte. Depois do futebol, o xadrez é o que mais acarreta stress. Como nós sabemos da memória de Jerome Horsey Ivan, o Terrível, morreu sobre um tabuleiro de xadrez. Vladimir Bagirov e Aivar Gipslis sofreram o mesmo destino. Eu não dei tudo que eu tinha na busca por rating ou esforcei-me para alcançar resultados mais elevados, possivelmente com exceção do campeonato mundial. Essa estratégia me permitiu estender minha energia racionalmente e jogar por muitos anos. Como norma da vida, um jovem super-ativo tende a relaxar quando mais velho, e o xadrez do computador tende a rejuvenescer sempre.
Um modelo de jogador de xadrez é um sábio indiano curvado sobre o tabuleiro num majestoso silêncio, mas definitivamente, não uma pessoa que impacientemente desloca as peças sobre o tabuleiro. Cinco minutos de jogo não é ser criativo, é apenas puro esporte. O xadrez já está perdendo sua imagem de sabedoria e mudando rapidamente para apenas um esporte. Ganhar a qualquer custo é o que mais importa agora. O Resto do Mundo ganhou contra a Rússia no Match do Século e este acontecimento provou ser clara a evidência da priorização do esporte sobre a criatividade. Quando jogávamos, não éramos coagidos pelo tempo.

5º) Você foi o único a prever a vitória do resto do mundo contra Rússia...

Isso foi provavelmente uma inspiração do Alto. Às vezes isso acontece comigo. Eu não tenho intenção, mas sua pergunta surpreendentemente me alcança. Então a resposta inicia-se em mim. Intuições à parte, existem algumas outras regras que influenciam as pessoas. Em um jogo não é sempre o mais notável jogador que ganha. Outros aspectos formam a vitória: unidade de equipe, coesão e sorte. Não é suficiente saber teoria. Inspiração e criatividade também são necessárias. Esses fatores são os mais importantes. Isso mostra a alma humana mais claramente. Criatividade inclui harmonia e beleza, coisas que aproximam o individuo de sua origem divina.
Claro, se não tivesse sido por minha visão, eu teria continuado a lutar sobre o tabuleiro e não teria tido tempo para compor problemas de xadrez. Isso é como uma oração disfarçada. Se os óculos pudessem fazer a percepção dos olhos se expandir sobre o nervo, eu seria capaz de ver. Mas na minha presente condição, eu apenas posso criar problemas e aplicar técnicas que eu aprendi no decurso de muitos anos. Então, eu sou um compositor de problemas de xadrez e escrevo livros para não perder minha origem criativa (essência divina). Eu terminei meu livro ‘Secrets of Rook Endgames’, que inclui sessenta jogos e quatro problemas de xadrez. Ele será publicado em breve. Eu já publiquei um livro ‘Theory of Rook Endings’. Mas a teoria é uma coisa, e a prática é completamente outra. Nimzowich também escreveu dois livros: ‘My System’ e ‘Chess Paxis’. Claro que eu comentei meus melhores jogos nesses livros. Aqueles que me derrotaram podem igualmente incluir esses jogos em suas próprias obras.

6º) Mas, o que predomina no xadrez: o divino ou o satânico?

O xadrez tem algo do diabo. Eu não posso especificar exatamente o que é, mas sinto isto intuitivamente. Acho que os sacerdotes tinham toda razão em considerar o xadrez um jogo demoníaco. Não são apenas os cristãos que defendem esta opinião, o xadrez também foi banido no Iraque. Até hoje padres repudiam o xadrez. João Paulo II era um inveterado jogador de xadrez na sua juventude, e até compôs um problema de mate em três lances. Mas quando se tornou Papa, desistiu do xadrez.
Minha experiência mostra que o diabo luta com Deus no xadrez como na vida real, e que o campo de batalha não é o tabuleiro, mas os corações das pessoas. Percebi isso depois do meu jogo contra Hübner, que terminou empatado. Muitos foram os lances no cassino. Foi a primeira vez que eu tive a sensação que eu não poderia influenciar meu próprio destino. A roleta decidia o resultado e a bolinha dourada era usada para evitar magnetismo. Se a bola caísse em um número vermelho eu seria o ganhador. Um número preto daria a vitória para Hübner. A bola foi lançada e caiu no ‘zero’, como em Dostoevsky. Não havia ganhador. A bola foi lançada novamente e desta vez caiu no número vermelho ‘três’. Desta maneira eu ganhei a competição. Mais tarde me dei conta que Deus havia lutado com o diabo em um cassino e eles haviam empatado no primeiro tempo. Mas, no fim, Deus ganhou e condenou Hübner à derrota. Que eu saiba existiram boas razões: o comportamento de Hübner foi incorreto durante a competição.

7º) Você tem tido uma longa e produtiva vida. Que mais nós podemos perguntar: qual é o significado da vida?

Todos deveriam experimentar suas próprias provas, incluindo sucessos e infortúnios. Do meu ponto de vista, a Terra é um purgatório, nós estamos nos preparando aqui para algo mais elevado. Fui me preparando através de ambos: sucessos e quedas do destino.
A experiência mais terrível foi a perda da vista. Contudo, evidentemente, isso foi necessário por alguma razão, talvez para me fazer olhar mais para dentro de mim mesmo, em direção à minha alma. Porque a preparação para a vida em outro mundo através de nossa existência terrena é o significado da vida humana. Nós deveríamos aumentar nossa bagagem espiritual aqui para tornar possível nossa vida lá. Eu não revelo segredos que ligam o mundo real com o espiritual. É melhor não saber sobre fenômenos místicos ou ingressar de maneira errada no mundo divino. Claro, toda pessoa tem suas próprias paixões, que a fazem agir contra as regras bíblicas. Hoje em dia, as paixões humanas estão sendo intensificadas pelo poder satânico como nunca foram antes. Os indivíduos são testados todo o tempo e fracassam na maioria das vezes, eles não suportam a pressão. É muito difícil lutar contra as forças diabólicas. Quando eu quebro leis divinas, perco mais que os outros porque eu conheço as leis. Diferentemente de outros eu sei o que faço, mas nunca tentei convencer os outros ou fazê-los mudarem de idéia. Eles farão isso por si mesmos no devido tempo.
Todo indivíduo é muito complexo e freqüentemente fecha sua mente, não apenas para o semelhante, mas também para si mesmo. Isso não é tão fácil de compreender. A assistência divina é necessária, como o amor. Se uma pessoa está apaixonada, passa a se conhecer melhor, pois revela algumas peculiaridades que jamais havia imaginado. Entretanto, ela também percebe a pessoa que ama e igualmente vê nela coisas que estavam ocultas para uma percepção indiferente. Aqui a alma, que é a segunda vista, entra em ação. O sentido da vida é deixar sua alma absorver tanto do Espírito Santo quanto for possível. Deus não precisa dos despreparados. Ele quer aqueles que estão prontos. Deus concede às pessoas uma oportunidade para melhorar seus karmas. Provavelmente eu não esteja completamente pronto ainda, porque uma vez eu estava morrendo, e não morri. Alguns dias atrás eu sonhei com minha mãe, ela me disse: “Eu estou esperando por você, porque não vem?” Evidentemente, era muito cedo. Isso significa que eu ainda sou necessário para alguma coisa. Provavelmente, tenho alguma coisa para concluir neste mundo.

Sobre a tradutora: Vanessa Alves Rodrigues tem 26 anos e reside em São Sebastião do Paraíso/MG.
Além de professora, é formada em administração e faz consultoria de empresas. Atualmente exerce a profissão de bancária.
Estuda inglês na Great School e espanhol no Fisk. Na área de xadrez, apesar de estar dando os primeiros passos, já domonstra muita afinidade com a modalidade.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIAS:
http://www.fcx.org.br/artigo4.htm
http://cxmendes.blogspot.com/2010/03/faleceu-vasily-smyslov.html

ENTREVISTA 24 - ZAMENHOF NO PROGRAMA DO JÔ SIARES

XADREZ E ESPERANTO: UM XEQUE-MATE NA BARREIRA LINGUÍSTICA.
Terminada a partida, surgiu o interesse em conversar com meu oponente, saber o que ele pensava da alternativa que eu tomei em relação ao final de peões, enfim, conseguir tirar mais algum proveito de tudo o que tinha aprendido durante o jogo. Havíamos vencido a barreira física jogando pela Internet, e, no entanto, permanecíamos diante de uma outra, ainda mais antiga e difícil de ser transposta: a barreira das línguas. Na ausência de uma língua em comum, estávamos ambos mergulhados no mutismo que prejudicou nosso próprio amadurecimento no jogo, e a culpa não poderia ser atribuída a nenhum dos dois, porque esse problema existe há muito tempo, sem uma solução realmente satisfatória para todos.

Quando o berço do xadrez era ainda a França do Café de la Régence, no século XVIII, impunha-se a necessidade de se saber o francês. Aos poucos, tal necessidade atravessou o Canal da Mancha e dirigiu-se para a Inglaterra de Anderssen, do primeiro campeonato mundial, e hoje pode-se dizer que o inglês é inevitável quando se buscam informações a respeito do xadrez, embora venha seguido de perto pelo espanhol de Capablanca. Nem mesmo a poderosa escola russa foi suficientemente forte para ascender sua própria língua a um posto dominante em relação às outras, mas dizem que o próprio Fisher afirmou que, para alcançar seus objetivos, teve de beber da fonte, lendo muitos livros em russo. Mas todas essas línguas ocupam apenas temporariamente essa posição dominante. Para comprovarmos essa teoria, basta nos lembrarmos da sequência na História: grego > latim > francês > inglês, e o Esperanto, língua planejada em 1887 pelo polaco Lázaro Luís Zamenhof, representa a única língua viva capaz de, efetivamente, contribuir para o entendimento entre enxadristas de todo o mundo. Seus objetivos são bem claros e lógicos: servir de língua aŭiliar para pessoas de línguas diferentes, a fim de que elas possam conservar sua própria língua, mas, ao mesmo tempo, intercambiar experiências com pessoas de outras línguas e culturas.

Ao longo de mais de 120 anos de uso, o esperanto se mostrou bastante eficaz nas relações internacionais, e hoje seu número estimado de falantes já alcança a casa dos milhões. Sua relação com o xadrez vem desde o início do século XX, quando surgiu a Liga Internacional Esperantista de Xadrez. E se já está comprovado que o cultivo do xadrez na mente de nossas crianças e jovens garante um maior domínio das áreas diretamente ligadas a ele, como a matemática, o raciocínio lógico e a concentração, também está comprovado que a aprendizagem do esperanto proporciona uma maior compreensão das estruturas da língua materna, é mais fácil de ser aprendido (porque não sobrecarrega a memória com as incoerências de uma língua estrangeira) e seu conhecimento faz economizar muitos meses quando se pretende adquirir outras línguas, caracterizando-a, portanto, como o melhor trampolim para as aprendizagens linguísticas.

Atualmente, o xadrez passa por uma fase caracterizada por variadas fontes de informação, uma fase em que surgem novos enxadristas de várias partes do mundo, e, devido à globalização e às novas tecnologias, a ligação entre todas essas pessoas amantes do jogo acontece de forma cada vez mais fácil e instantânea. Muitos livros e cursos são editados em línguas que não são tidas como línguas de prestígio, e com isso ficamos sem ter acesso a esse vasto material, tudo fica guardado como um tesouro a ser descoberto por quem tiver o “mapa da mina”. O Esperanto já foi testado inúmeras vezes como línguaponte, e sua versatilidade para a tradução de qualquer tipo de texto – inclusive enxadrístico, pois é possível encontrar um grande número de informações sobre o xadrez já na língua internacional – caracteriza-o como um dos melhores “mapas” que a mente humana já inventou.

É chegado o momento decisivo: estamos a poucos lances da vitória!

O enriquecimento que o estudo do esperanto poderá oferecer é incalculável. É a opção mais lógica para que não continuemos a sofrer o afogamento no mar da incompreensão linguística, que tanto empata as chances de aperfeiçoamento de todos aqueles que desejam ascender em nossa arte. E essa atitude não renderia riscos ao enxadrista. Muito pelo contrário: seria, antes, um pequeno sacrifício, magistral eu diria, em direção ao xeque-mate na barreira que ainda reina entre jogadores de línguas diferentes.

Leandro Freitas é revisor de textos,
professor de literatura, enxadrista e esperantista,
e, atualmente, mora em São José do Rio Preto, SP.

Artigos, textos · Última modificação: 2009/09/24 16:54 por marilenon.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).
REFERÊNCIA:
http://www.kke.org.br/artigos