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PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

ENTREVISTA 65 - GREGO NOVAK.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:

http://www.clubedexadrezonline.com.br/artigo.asp?doc=12621



As peças favoritas de Bobby Fischer

Por Carlos Eduardo Ortolan*

Muitos fãs do xadrez que possuem a antiga edição nacional do clássico “Minhas 60 melhores partidas” de Bobby Fischer devem ter se indagado acerca do incomum jogo de peças exibido na capa. Com seu rei sem cruz, os bispos sem mitras, e os cavalos com um desenho muito particular, trata-se de um jogo iugoslavo, o Dubrovnik ´50, que se tornou o favorito de Fischer e que hoje é virtualmente impossível de ser encontrado.


Ou assim era, já que graças ao engenho e arte de Gregor Novak, um mestre artesão da Eslovênia, as peças favoritas de Bobby Fischer retornam à vida.
 

Nesta entrevista exclusiva ao Clube de Xadrez Online, Gregor Novak conta um pouco da história do conjunto Dubrovnik ´50, e de seu trabalho produzindo peças de xadrez de alta qualidade.

Janez e Gregor Novak, da N.O.J, com Garry Kasparov

 Entrevista com Gregor Novak

1) Como se iniciou seu interesse pelo xadrez? Conte-nos um pouco da história de sua empresa, e como começaram a produzir peças de xadrez de alta qualidade.

Gregor: Meus pais possuem uma pequena empresa que trabalha com madeira torneada.  Ela teve seu início em 1980, tendo como seu primeiro produto jogos de xadrez de baixo custo, produzidos à máquina. Esses jogos foram vendidos por toda a antiga Iugoslávia por mais de dez anos, mas depois que as lojas receberam os primeiros conjuntos de xadrez feitos na China, nossas vendas experimentaram um rápido decréscimo.

Foi em 1990 que meus pais orientaram sua produção para peças de madeira industriais, tais como plugues, knobs etc., e jamais pensaram novamente no fabrico de jogos de xadrez.

Até que, muitos anos depois, o telefone tocou: era um dos maiores enxadristas eslovenos de todos os tempos, o GMI Bruno Parma. Ele sugeriu que meu pai, Janez Novak, começasse a produzir peças de xadrez Dubrovnik, feitas a mão.

O interesse de meu pai foi imediato, mas havia um problema – não havia como fabricar as peças em tornos automáticos.

Ingressei na empresa por volta de 1998, mas inicialmente trabalhei apenas nos tornos automáticos. Posteriormente, comecei a aprender o torneamento manual, mais por diversão do que com um objetivo concreto...mas os meses se passaram e lentamente tornei-me bastante hábil. Depois disso, não demorou muito para que meu pai abrisse uma gaveta e retirasse o desenho original das peças Dubrovnik, dado a ele anos atrás pelos proprietários legais do projeto, »Šahovska naklada Croatia«.
 
O grande problema era, claro, as peças esculpidas (os cavalos têm um desenho muito específico), mas nós conseguimos dominar essa técnica. Atualmente, faço todo o trabalho de torno e escultura, enquanto meu pai cuida do acabamento e laqueadura das peças, a colocação dos pesos, os feltros, a embalagem...


2) Você é natural da Eslovênia, um país que integrava a antiga Iugoslávia; num passado recente, a Iugoslávia possuía alguns dos enxadristas mais fortes do mundo, tais como Gligoric, Velimirovic, Bruno Parma, Liuboievic, entre outros astros; existe ainda uma cena forte de xadrez nos países que formavam a Iugoslávia? (Sérvia, Croácia, Bósnia, Eslovênia...)

Gregor: Temos uma base de xadrez muito ampla na Eslovênia – um sindicato nacional bem organizado, muitos clubes, e diversos GMIs que representam regularmente o país em eventos internacionais; a Eslovênia sediou o último campeonato mundial juvenil, em 2012.

Por outro lado, nossas peças não despertam tanto interesse fora de nossa comunidade enxadrística, portanto é difícil uma avaliação em termos mundiais.
 
3) Suponho que as peças Dubrovnik `50 sejam, provavelmente, seu produto mais célebre. Eram as peças favoritas de Bobby Fischer ( o ex-campeão mundial americano adquiriu um conjunto Dubrovnik na Iugoslávia, nos anos 70). Poderia nos contar um pouco a respeito da história e das características especiais do conjunto Dubrovnik? No que elas diferem de um Staunton regular?

Gregor: Em 1950, a IX Olimpíada de Xadrez ocorreu em Dubrovnik (Croácia). Participaram equipes de 16 países, e , após 480 partidas, a Iugoslávia ficou com a medalha de ouro (A Argentina foi prata, e a Alemanha Ocidental ficou com o bronze).
Especialmente para a ocasião, um novo conjunto de peças foi criado, batizado como »Dubrovnik«. Foi muito bem aceito pelos enxadristas, graças a seu design interessante e elegante. O desenho foi feito por Andrija Maurovič, um famoso cartunista e artista iugoslavo, e as peças foram fabricadas na oficina do mestre artesão Jakovljevič, em Zagreb.

Muitas fontes asseguram que essas eram as peças favoritas de Bobby Fischer. Fischer estudava regularmente com elas, e também as empregou no rematch com Spassky, em 1992, em Sveti Stefan.

Algumas diferenças importantes entre o Dubrovnik e o design Staunton comum são a ausência de símbolos religiosos nos reis e bispos. O governo comunista, que comandou a Iugoslávia entre 1940 e 1990 não permitia símbolos eclesiásticos, tais como a cruz do rei (substituída por uma esfera) e as mitras dos bispos. As damas também receberam novas coroas, mais largas, ideais para partidas relâmpago. Também é muito interessante o formato confiante dos cavalos, mais fechado.


4) Você produz outros conjuntos de peças, além da reprodução histórica do Dubrovnik ´50. Quais outras peças a N.O.J. fabrica artenasalmente?

Gregor: Além do Dubrovnik, projetamos diversas peças, que foram atualizadas com uma coleção de conjuntos de designers, por exemplo, as peças desenhadas pelo próprio Leonardo da Vinci (www.leonardochess.com). Reproduzimos essas peças a partir de um estudo do designer italiano Franco Rocco.

Nosso mais recente projeto foi feito em colaboração com uma conhecida personalidade eslovena, que projetou um jogo de xadrez batizado Best Chessmen Ever (BCE). Trata-se de uma nova abordagem do desenho clássico Staunton, feito a mão em nossa empresa. Tivemos oportunidade de oferecer um desses jogos ao ex-campeão mundial Garry Kasparov.

Temos também um conjunto para crianças, projetado por um conhecido projetista de brinquedos. O objetivo é atrair a atenção infantil com um jogo de xadrez bastante colorido e de agradável jogabilidade.

5) Você pertence a uma antiga tradição, aquela de mestres artesãos que produziam, com paixão, habilidade e paciência, verdades obras de arte, em contraste com a produção industrial dos dias de hoje. Atualmente, a maior parte das peças de xadrez (mesmo as das grandes lojas de xadrez americanas e européias) é produzida na Índia. Qual a diferença entre suas peças e as indianas?

Gregor: Acho difícil comentar acerca das peças produzidas na Índia. Sei que muitas delas também têm trabalho de alta qualidade. O que posso dizer é que buscamos fazer o melhor para agradar o cliente.  Nós frequentemente os tomamos mais como amigos que clientes, uma vez que trocamos diversos emails antes que as peças sejam finalizadas e enviadas.

Nosso maior prazer é quando os clientes nos enviam suas opiniões sobre nossas peças. Ler aquelas palavras tão gentis simplesmente não tem preço.


Nota: O site da N.O.J, empresa de Janez e Gregor Novak, que fabrica as peças Dubrovnik, Portoroz, dentre outras, é : https://www.noj.si; lá o leitor poderá encontrar maiores informações sobre os jogos de xadrez premium.

* Sobre o autor: Carlos Eduardo Ortolan é enxadrista, tradutor, jornalista e mestre em Literatura Brasileira pela USP.

ENTREVISTA 64 - HINDEMBURG MELÃO JR.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
http://www.sigmasociety.com/entrevista_xadrez.htm



Conforme comentado anteriormente http://www.sigmasociety.com/portal_prof.htm , foi realizada uma entrevista comigo, conduzida por Luiz Eduardo Queiroz, representando o site "Conexão Professor", versando sobre Xadrez e Educação. A entrevista foi parcialmente veiculada como parte desta matéria: http://e-educador.com/index.php/projetos-de-ensino-mainmenu-124/77-projetos-de-ensino/4249-chess , http://xadrezescolarbrasileiro.blogspot.com/ entre outras fontes.
O texto integral da entrevista é conforme segue:

1 – Como nasceu o seu interesse pelo Xadrez? 

Em primeiro lugar, quero dizer que é um prazer voltar a falar sobre Xadrez, depois de vários anos afastado, e fico grato pela agradável oportunidade.
Eu aprendi a mover as peças aos 9 anos, com meu primo, mas eu não tinha tabuleiro nem peças, além disso não tinha com quem praticar, então joguei apenas meia dúzia de partidas com meu primo. Só comecei a jogar com assiduidade aos 14 anos, porque a escola em que eu estudava tinha um professor de educação física que gostava muito de Xadrez, Prof. Cláudio, e em 1986 e 1987 foram promovidos torneios internos na escola e na delegacia de ensino. No primeiro ano eu fui eliminado na primeira partida, muito rapidamente, contra o amigo Denis, e fiquei entre os últimos classificados. Alguns meses depois, nossa equipe sagrou-se campeã na sétima Delegacia de Ensino e eu tive a felicidade de ter contribuído para este sucesso, por ter obtido 100% de vitórias. No ano seguinte fui campeão interno individual e fomos novamente campeões na sétima Delegacia de Ensino, em ambos obtive 100% de vitórias. A partir daí, meu interesse começou a crescer, e o Prof. Paulo, que arbitrou o evento da sétima Delegacia, me forneceu o endereço do Clube de Xadrez São Paulo, onde comecei a freqüentar (eu gostaria de continuar usar trema normalmente, apesar da reforma). Eu sempre gostei de videogames, porém nos jogos eletrônicos estava sujeito a falhas no equipamento, além de haver muita ênfase na velocidade dos reflexos, enquanto no Xadrez estes problemas quase desapareciam. Além disso, os videogames são muito repetitivos, enquanto o Xadrez tem uma gama de possibilidades incomparavelmente maior, o que o torna muito mais interessante e divertido.

2 – Você poderia contar um pouco da sua história de vida, sua formação e suas áreas de interesse? 

Tentarei não ser repetitivo com as informações que já constam no site e no final do meu livro. Eu não tenho formação acadêmica. Comecei a cursar Física em 1995, mas fiquei profundamente desiludido em praticamente todos os aspectos. Eu já havia abandonado os estudos várias vezes, porque sempre achei que poderia aprender melhor e mais rapidamente como autodidata, mas por pressão de minha família, acabei prestando vestibular e ingressando no Ensino Superior. Resisti durante cerca de 4 meses, mas acabei abandonando o curso.
Alguns dos principais problemas que pude notar foram a falta de incentivo à produção intelectual e à criatividade, as exigências para se obter resultados medíocres relacionados à mera reprodução de informação, a arrogância de alguns professores de competência sofrível, entre outros motivos que comento em alguns de meus artigos (no final de meu artigo sobre o coeficiente de Hurst, por exemplo). Por outro lado, tive a oportunidade de representar a USP no campeonato paulista de Xadrez e nossa equipe foi campeã, e conheci algumas pessoas agradáveis, com as quais mantive contato durante anos.
Quanto às minhas áreas de interesse, minhas preferências mudam com o tempo. Atualmente tenho muito prazer em lidar com assuntos relacionados ao desenvolvimento de sistemas computadorizados para gestão automática de carteiras de investimento, por ser um desafio estimulante e recompensador. Além dos temas correlacionados a isso, especialmente investimentos em Forex, commodities e ações, também gosto muito de Estatística, Psicometria, Cognição, Heurística, Epistemologia, Astronomia, Física, Filosofia, Lógica, Matemática, Artes Marciais, Dança, Literatura, História da Ciência, Natação, Ciclismo, filmagem e edição de vídeo, fotografia astronômica (embora ainda seja iniciante), entre outras. Na maioria dessas áreas, é possível que o Xadrez tenha desempenhado um papel positivo para otimizar meu desempenho, por ter educado meu raciocínio para operar de maneira mais organizada do que se eu resolvesse tudo de improviso.

3 - Você acredita que o Xadrez possa ser usado nas escolas como ferramenta pedagógica? Que habilidades a prática do Xadrez desenvolve nos alunos?

Infelizmente não há, que eu saiba, estudos bem conduzidos com a finalidade de avaliar os efeitos do Xadrez sobre o rendimento escolar ou sobre a evolução das faculdades intelectuais. Há muitos estudos, porém todos pecam em muitos aspectos. Um dos mais completos foi desenvolvido por nosso amigo Albert Frank, durante o período de 20 anos que ele viveu na África, ensinando Xadrez e Matemática a crianças e jovens, e um resumo deste estudo foi publicado por ele por intermédio da USCF (Federação de Xadrez dos Estados Unidos), com o nome “Chess and aptitude”. Albert é professor de Lógica e Matemática na Universidade de Bruxelas, referee internacional em várias revistas especializadas, foi campeão de Bruxelas em 1968, é fundador de uma sociedade internacional para especialistas em Lógica e Puzzles chamada “Ludomind”, e recentemente foi campeão veterano da Bélgica, portanto possui uma excelente bagagem tanto para o ensino de Xadrez quanto para o uso de ferramentas estatísticas de bom nível para investigar os resultados do estudo. No entanto, por limitações orçamentárias e de pessoal (professores) para colaborar, os estudos não tiveram como ser tão rigorosos quanto seria necessário, e as conclusões ficaram comprometidas. Há muitos estudos na Romênia, na Rússia, na Alemanha, na Inglaterra e outros países. Até mesmo no Brasil há vários estudos que foram publicados nas extintas revistas “Preto & Branco” e “Xadrez Coop”, de trabalhos realizados por Antonio Villar Marques de Sá (doutor em Educação aplicada ao ensino de Xadrez), Damaris Hadad, Joaquim de Deus Filho e outros. No entanto, os resultados anunciados nestas revistas carecem de teor científico por vários motivos metodológicos e técnicos. Um estudo de Joaquim de Deus Filho, por exemplo, se não me engano, se baseava numa amostra com 32 alunos. É um número muito pequeno, e não houve nenhum estudo com Análise de Clusters, ou Wavelets ou outras ferramentas estatísticas que permitissem isolar as variáveis que se desejava estudar daquelas que causavam ruído. Apesar de todas estas ressalvas, intuitivamente me parece muito coerente supor que o Xadrez tenha um papel muito importante no desenvolvimento intelectual, por exercitar muitas habilidades diferentes e, conforme comentei anteriormente, por tornar o raciocínio mais organizado, e isso pode ter aplicação em praticamente todas as áreas do conhecimento.

4 – Você pode falar um pouco da ligação entre o Xadrez e a Matemática? 

Não conheço estudos relacionando estas atividades, mas algumas pesquisas de Bill McGaugh revelam uma correlação em torno de 0,7 entre desempenho no Xadrez e em testes de QI predominantemente constituídos por questões de Matemática e Lógica. Isso é bastante sugestivo.
A comparação poderia ser feita de diversas maneiras, e seria possível chegar a conclusões divergentes, dependendo da abordagem. Na visão de Steven Pinker, a mente é constituída por “órgãos mentais”, e por analogia com os órgãos físicos, uma pessoa com membros maiores tem maiores probabilidades de ser bom jogador de Basquete, assim como de Vôlei, por serem duas modalidades que dependem da altura, e além da altura cada uma delas requer algumas habilidades específicas, por isso os bons jogadores de Basquete não são necessariamente tão bons no Vôlei, e vice-versa, e por isso nem todas as pessoas altas se sobressaem nessas modalidades. Porém se pode constatar que os jogadores profissionais destas modalidades são muito mais altos do que a média da população em geral, bem como se pode constatar que os bons jogadores de Basquete são claramente melhores em Vôlei do que uma pessoa que não seja tão habilidosa no Basquete. Se invertêssemos, trocando “Vôlei” por “Basquete”, ocorreria o mesmo. Disso podemos inferir que, se o modelo mental proposto por Steven Pinker for uma boa representação da realidade, provavelmente pessoas com altas habilidades para Matemática também devem se destacar no Xadrez, assim como bons jogadores de Xadrez devem se destacar na Matemática, não igualmente bem em ambas, mas pelo menos num nível sensivelmente superior à média das pessoas que não praticam a outra modalidade correlata.
Não há como dar respostas que sejam ao mesmo tempo resumidas, razoavelmente corretas e medianamente completas a questões como estas. Convém lembrar que além do modelo de Pinker existem muitos outros (de Guilford, Thurstone etc.). E em qualquer dos modelos mentais que conheço, todos sugerem igualmente que deve haver uma estreita relação entre desempenho em Xadrez e Matemática. É importante também esclarecer que esta é apenas minha opinião, baseada numa avaliação subjetiva, e que está consoante com a opinião da grande maioria (ou talvez a totalidade) das pessoas que chegaram a investigar este tema. Embora sejam “apenas” opiniões, sem valor científico, acho improvável que tantas pessoas estejam erradas.

5 - Você entrou para o Guinness Book em 1998 com o “recorde mundial de xeque-mate anunciado mais longo em simultânea de Xadrez às cegas”. Pode falar um pouco mais sobre essa ocasião? Como é jogar Xadrez às cegas? 

Foi uma experiência extremamente interessante em muitos aspectos, foi muito gratificante e excitante, mas também muito estressante. Sofri boicotes inimagináveis e compreendi que uma das dificuldades para o crescimento do Xadrez no Brasil se deve aos conflitos entre clubes e federações, alguns decorrentes de inveja ou atritos pessoais, outros decorrentes de motivos que nunca cheguei a compreender bem. Felizmente recebi muito apoio de dezenas de pessoas, especialmente dos amigos Rafael Zakowicz e Alex Takayama, que me acompanharam em quase todas as simultâneas de treinamento, como declamadores, e também os amigos Adalberto Joco, da revista Caissa Café, e Antonio Claudio Tonegutti, que na época era responsável pelo site da Confederação Brasileira de Xadrez e diretor do dep. de Química da UFPR, os amigos Gilson Luis Chrestani, presidente da Federação de Santa Catarina e ex-campeão brasileiro postal, que veio a São Paulo para prestigiar nosso evento, o presidente do Clube de Xadrez Epistolar, Luis de Oliveira Costa Neto, que também foi prestigiar nosso evento, e muitos outros que estão listados na página de agradecimentos sobre aquele evento. Joco e Tonegutti publicaram extensas matérias sobre meu recorde, assim como Chrestani e Luis Neto publicaram nas revistas das respectivas entidades que presidiam, o que possibilitou atender a uma das exigências do Guinness para que o recorde fosse reconhecido. Por outro lado, quem acompanhou de perto todos os detalhes, pôde presenciar fatos absurdos, inclusive remoção de folders num local onde seriam realizados eventos. Na época fiquei muito estressado com estas coisas. Mas no final, o resultado foi muito positivo e bem-sucedido.
O Joco também fez uma entrevista comigo, na época, em que respondi sobre vários temas que estão sendo abordados agora aqui. Uma das perguntas era como eu visualizava as peças e o tabuleiro, e talvez seja um detalhe interessante para comentar: eu não visualizo nada, eu apenas sei onde estão as peças e calculo como elas interagem mutuamente. Quero dizer, eu não opero com imagens mentais, mas sim com informações algébricas. Se tenho uma Torre em e4, sei que ela domina todas as casas do caminho que estiver desobstruído na coluna “e” e na fila “4”. Basta que eu saiba onde estão as peças para saber o que posso e o que não posso fazer, não preciso (e nem consigo) visualizar mentalmente o tabuleiro inteiro. Na verdade, algumas poucas vezes, quando necessário, consigo ter uma imagem total do tabuleiro e das peças, ou tenho a sensação de conseguir, mas que pode ser uma sensação enganosa, por mesclar informações de imagem mental com informações algébricas previamente conhecidas. Quando empreendo algum ataque de ala, em que o foco se limita a uma região pequena de 3x2 escaques, ou algo assim, eu posso, como recurso para acelerar o cálculo, visualizar apenas esta pequena região. Mas normalmente não penso em imagens, penso apenas em posições de peças como coordenadas cartesianas. Em 1996, eu achava que minha maneira de jogar às cegas era rara, mas alguns anos depois, quando amigos me falaram sobre o livro “Ajedrez a la ciega”, que demorei, mas acabei conseguindo um exemplar, e li sobre a metodologia adotada por Pillsbury, Reti, Alekhine e outros, percebi que praticamente todos faziam da mesma maneira que eu, exceto Tarrasch, que dizia visualizar o tabuleiro todo, mas suspeito que ele pode ter apenas uma falsa impressão sobre isso, conforme comentei algumas linhas acima. Acho este esclarecimento importante, porque a maioria das pessoas pensa que eu visualizo um tabuleiro de cada vez, ou todos de uma vez, mas não é isso. Eu apenas sei onde estão todas as peças de todos os tabuleiros.

6 - Você também é recordista mundial de xeque-mate anunciado mais longo em Xadrez Epistolar. Pode explicar melhor essa modalidade do Xadrez? 

Este recorde não chegou a ser oficialmente publicado no Guinness, em parte porque após a edição de 1998, o Guinness deixou de ser publicado no Brasil durante alguns anos, e este recorde foi estabelecido em 1999. No site do Guinness no Reino Unido não havia (e acho que ainda não há) formulário funcional nem qualquer meio de contato para envio de requisição de homologação. Mas foi publicado integralmente no jornal de Pi Society e citado em outras revistas e sites. Foi também reconhecido pelo então presidente do Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro como o mais longo de que ele tinha conhecimento, sendo o recorde anterior citado no livro “Manual de Xadrez”, de Idel de Becker (não me recordo agora o nome da pessoa que era recordista).
O Xadrez Postal, em minha opinião, é mais interessante que o Xadrez ao vivo em muitos aspectos, porém é menos divertido. O Xadrez Postal é mais científico, envolve extensas e profundas pesquisas antes de se executar cada lance, quase não há margem para táticas psicológicas ou ciladas, enquanto o jogo ao vivo é mais esportivo, é uma disputa entre pessoas, é como dizia Lasker: “O Xadrez é uma luta gostosa de emoções”. Diria que o Xadrez Postal é como compor uma obra de Arte com elevado requinte, ou desenvolver um complexo e profundo trabalho científico, não sinto o Xadrez Postal como um jogo ou esporte, mas sim uma arte e uma ciência de nível muito elevado. Com os programas de computador, o teor científico do Xadrez Postal aumentou muito, e, cada vez mais, o grupo dos melhores jogadores postais está sendo constituído por acadêmicos de áreas de Exatas, ao passo que antes era majoritariamente constituído por fortes jogadores ao vivo. Minha sensação é de que algumas pessoas conseguem analisar exaustivamente por 5 minutos, outras conseguem por 1 hora, outras conseguem por 50 horas. Às vezes quem consegue se sobressair muito numa análise de 5 minutos pode não continuar melhorando a qualidade de sua análise se dispuser de muito mais tempo, enquanto outras que não são tão rápidas para conseguir fazer uma análise muito boa em 5 minutos, podem continuar se aprofundando quase indefinidamente, até encontrar um lance com altíssima probabilidade de ser objetivamente o melhor, e estas acabam se sobressaindo no postal. Com o uso de computadores, além da capacidade para se aprofundar quase indefinidamente, soma-se a capacidade para formular metodologias de análise em que o computador execute os cálculos táticos e o humano oriente um plano estratégico.
Creio que a correlação entre Matemática e Xadrez Postal seja mais forte do que entre Matemática e Xadrez ao vivo, se pensarmos em Matemática em termos de “produção intelectual”, mas se pensarmos em matemática como tirar notas ou vencer olimpíadas da Matemática, então a correlação com Xadrez ao vivo deve ser mais forte.
Atualmente, o Xadrez Postal é, na verdade, Xadrez por e-mail. Desde 1999, quando comecei a jogar postal, o uso do e-mail talvez já predominasse. Os ritmos de jogo costumam ser 40 dias para 10 lances, ou 30 dias para 10 lances, sendo que se um lance for respondido na mesma data ou no dia seguinte, conta como tempo zero por descontar o trâmite dos correios. Embora o advento do e-mail tenha tornando essa regra injustificada, ela permanece vigente (pelo menos era assim até 2000). Além disso, a derrota por esgotar o tempo só acontece após exceder o controle de tempo pela segunda vez. Isso confere aos jogadores uma folga muito grande para analisar cuidadosamente.
Os jogos postais se desenvolvem mediante a troca de correspondências (e-mails ou cartas), em que as pessoas têm um determinado prazo para executar determinada quantidade de lances. Há várias regras específicas para tentar supervisionar os jogos, e acho interessante que as tentativas de trapaças são muito raras, apesar de não haver meios eficientes para se fazer um controle muito rigoroso.

7 - O Xadrez pode ser considerado um esporte ou é apenas um jogo que desenvolve o lado intelectual do indivíduo? 

Eu escrevi um texto intitulado “Tributo à deusa Caissa”, que está publicado em alguns sites de Xadrez, inclusive neste:
http://www.sigmasociety.com/xadrez/sigma_tributo-caissa.asp
O texto é uma apologia ao nosso jogo-esporte-arte-ciência, com teor meio poético. Uma resposta mais objetiva a esta pergunta poderia ser dada com uma rede neural que recebesse milhões de inputs sobre características comuns a jogos e a esportes, contrastasse umas com as outras, e, em seguida, ela classificaria o Xadrez como mais bem enquadrado em um ou no outro grupo. Este seria um procedimento complexo, demorado, e ainda estaria sujeito à subjetividade inerente à escolha das características usadas nos inputs.
Tentando fazer organicamente o trabalho de uma rede neural artificial, podemos dizer que o Xadrez possui vários elementos comuns aos jogos, aos esportes, às artes e às ciências, portanto pode ser caracterizado como todas. Mas se a pergunta envolver um “ou exclusivo” do tipo “XOR”, seria muito difícil de responder em qual grupo ele se enquadraria melhor, inclusive talvez variasse de pessoa para pessoa, de partida para partida, sendo algumas mais científicas, outras mais artísticas, outras mais esportivas. Karpov, por exemplo, é um bom arquétipo de jogador científico, enquanto Tal foi um notável artista e Lasker foi um grande jogador. Os três foram cientistas, artistas e jogadores, porém cada um se destacou numa característica. Talvez haja algumas armadilhas semânticas ao se tentar dar respostas simplistas a perguntas como esta. Creio que o mais correto seja considerar o Xadrez como uma modalidade esportiva, reconhecia pelo COI, com elementos de Arte e Ciência, e com propriedades que o caracterizam também como um jogo. Numa análise superficial podemos ter a impressão de que difere da pintura, que é facilmente caracterizada como Arte, embora tenha também elementos de Ciência, e difere da Física, que é facilmente caracterizada como Ciência, embora tenha também elementos de Arte, mas difere em menor proporção de jogos diversos. Mas uma análise mais meticulosa revela que, na essência, se compararmos a atividade intelectual e a emocional subjacentes, fica claro que ele difere mais dos jogos trivialmente praticados, e se assemelha muito mais às artes e ciências. Geralmente o envolvimento do praticante com a atividade artística e científica é muito intenso, assim como o sentimento de realização ou de perda quando se consegue ou não atingir o objetivo. Nos jogos típicos, geralmente o envolvimento é muito menor, o comprometimento é menor. Não estou seguro de ter feito uma análise imparcial. Talvez eu esteja partindo de uma idéia pré-concebida e tentando formular argumentos para fundamentar minha idéia, em vez de analisar friamente o caso em busca de uma compreensão mais correta. Mas se estou incorrendo neste vício, não é intencional e me inclino a acreditar que estou sendo pelo menos razoavelmente imparcial.

8 – Você acha que o ensino do Xadrez deveria ser obrigatório nas escolas de todo o país?

Eu acho que deveria ser obrigatório oferecer merenda e condições dignas de moradia e educação a todas as pessoas, especialmente às crianças, e acredito que as escolas deveriam oferecer aulas facultativas de todas as disciplinas, bem como orientação para que as crianças pudessem compor as grades curriculares mais compatíveis com suas aptidões naturais e com suas preferências pessoais. Acho que ninguém deveria estudar compulsoriamente Xadrez, nem Matemática, nem qualquer outra disciplina, mas deveriam ser esclarecidos sobre a importância do conhecimento e dos benefícios que se pode ter para o resto da vida se se dedicarem ao estudo do Xadrez, da Matemática e da maioria das outras disciplinas, sobretudo se estas disciplinas forem abordadas de modo a ter aplicação no cotidiano. Ainda que o Xadrez provavelmente cause bem às pessoas, não acho que se possa obrigar as pessoas a nada que elas não queiram, ainda que seja supostamente bom para elas, exceto em casos nos quais o bem da comunidade depende da imposição de algo a alguns, a fim de assegurar o melhor para todos. Privar uma pessoa da liberdade, por exemplo, se a pessoa for uma criminosa hedionda, e a liberdade dela colocar em risco o bem-estar de outros, eu sou a favor de que esta pessoa perigosa precisa ser impedida de atuar contra o bem comum. Mas no caso de um fumante, enquanto ele fume longe de outras pessoas, e o único prejudicado é ele próprio, acho que o máximo que se pode fazer é orientá-lo a não fumar, mas sou contra obrigá-lo a não fumar.

9 - Para finalizar, você pode falar um pouco mais sobre a Sigma Society?

Sigma Society foi criada em 1999 e chegou a ser bastante ativa durante algum tempo, com cerca de 500 mensagens mensais em nossos fóruns, chegamos a oferecer cursos de Xadrez, Astronomia, Latim, Esperanto e Sânscrito, a seção Oráculo foi muito prolífica durante alguns anos, porém atualmente nossa atividade está muito reduzida, em grande parte porque meu foco está muito mais voltado para a área financeira, especialmente o desenvolvimento de sistemas automáticos de investimentos. A maioria dos artigos publicados no site a partir de 2005 é sobre investimentos, e chegou a um ponto que começou inclusive a descaracterizar nossa sociedade, por isso agora vamos criar um site exclusivo para tratar de investimentos, e tentaremos redirecionar a Sigma para seguir em seu caminho original.
Na Sigma eu tive a oportunidade de conhecer algumas das pessoas mais agradáveis que atualmente fazem parte de meu círculo de amizades, pessoas com as quais compartilho vários interesses e possuem valores éticos semelhantes aos meus. Não apenas os membros de Sigma, mas também muitos visitantes, que são praticamente como membros, com os quais mantive e/ou mantenho correspondência assídua, também acabaram se tornando amigos muito queridos. O Petri Widsten, por exemplo, teve época em que trocávamos 10 e-mails por dia durante vários meses seguidos. Alexandre Maluf (não tem parentesco com Paulo Maluf, pelo menos não que ele saiba) é provavelmente a pessoa com quem mais tenho trocado mensagens nos últimos anos, devido ao meu interesse por Astronomia e por ele ser provavelmente uma das pessoas que mais conhece sobre telescópios no Brasil, e tenho aprendido muito com ele. A Juçana Corrêa foi uma das mulheres mais marcantes em minha vida, com quem mantenho amizade até hoje. Praticamente todos os cotistas do Saturno V (que é o nome de meu sistema automático para investimentos) me conheceram por intermédio do site da Sigma Society, bem como as matérias para as quais fui convidado a participar, como esta entrevista que estamos fazendo agora, e outras, as pessoas que me convidaram para estas matérias tomaram conhecimento de que eu existo por intermédio do site, direta ou indiretamente. Por isso considero que o tempo que dediquei a Sigma nos últimos 9 anos está sendo muito recompensador, assim como o tempo que dediquei ao Xadrez e a algumas outras atividades. Sigma foi uma sementinha que plantei sem saber claramente o que esperar dela, e rapidamente começou a gerar bons frutos. Hoje ela representa uma filha para mim, com a vantagem de que não chorava nem fazia sujeira quando era pequena, não preciso ir buscá-la à noite em danceterias, e, apesar dessa gravidez precoce e inesperada, que vai gerar agora outro site, ela sempre me trouxe muitas alegrias.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

ENTREVISTA 63 - DAMA EM XEQUE! ALICE YAHWEH BARUCH.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
https://xadrezfeminino.wordpress.com/tag/entrevista/


DAMA EM XEQUE! ALICE YAHWEH BARUCH

No primeiro campeonato brasileiro feminino em que participou, em 1975, Alice Baruch ficou em 6º lugar. Desde então vem seguindo sua trajetória como enxadrista carioca, tendo sido campeã estadual e carioca. Neste ano de 2013, foi a campeã do Tijuca Tênis Clube no Rio de Janeiro-SP, clube que representa. Conheça a trajetória desta jogadora carioca ;)Imagem
O início do xadrez, creio que se deu, pelo fato de eu ser muito tímida, e uma psicóloga que atendia na Escola Anna Freud/ Cosme Velho – sugeriu que eu praticasse mais de um esporte para me socializar melhor. Na época eu jogava vôlei e o handebol, mas logo percebi que tinha pouca altura para o vôlei e o handebol não me agrava muito. Assim aos 11 anos comecei a jogar xadrez.
De início o meu irmão me deu algumas noções, pois ele jogava há mais tempo, era mais velho e, tinha um grupo de colegas no ensino médio que se reuniam, e jogavam no colégio dele… Eu achava curioso, aquele jogo e elegante tbm… e, nos tínhamos um jogo bem antigo em casa, que conservo até hoje, que era do meu pai Gunther , ai pedi que me ensinasse tbm… No colégio aonde eu fazia a 5 série, haveria jogos escolares, e meu professor educação Física, perguntou se, tinham alunos que jogavam xadrez, para formamos uma equipe… assim comecei a disputar em Torneios…
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Logo depois, conheci o prof. Manuel Miguéis de Nova Iguaçu, e ele descobriu de certa forma que eu tinha potencial, e começou a esclarecer mais, sugerir livros. Nos reuníamos no Iguaçu Basquete Club, numa sala bem barulhenta perto da quadra de jogos…aos fins de semana… e ficávamos longas horas ali.
O xadrez era um lugar meio apagado no clube, mas mesmo assim conseguimos nos destacar saindo para disputar torneios, no Interior, e tínhamos uma Equipe coesa e bem forte. Alguns nomes que ficaram mais conhecidos: Wallace Machado, Hermine Benesch, Renato Ramos Pinheiro, Otavio Santos (esse era o melhor), dentre outros lá pelos anos de 1974 em diante…
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Comecei a participar de Brasileiros em 1975, quando conheci algumas figuras como Norma Snitkovsky , Eunice Aquino, Helenita Hoffman , Maria Cristina, Ligia Carvalho, Alessandra (SC), Limp, Sadi e muitos jogadores do Rio de Janeiro. Os jogos quase sempre aconteciam na AABB/Lagoa, e aquele cenário era muito bom de se ver. Minhas tias moravam no Leblon, e eu poderia ficar o final de semana lá pelo Rio, por causa da distância de onde morava…
Não tinha treinadores na verdade, treinava sozinha, e quando apareciam os torneios, mas destaco o Manuel Miguez como meu orientador em algumas ocasiões, bem como o Otavio e o Mauro el Chaer, que era estudante de medicina, e tinha talento, mas depois de um tempo passei deles..
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Pelo menos fiquei como numero 1 na minha cidade. Classe A. Tinha tempo para jogar, por que nessa época só estudava, mas com a continuação tive que fazer escolhas, e embora tenha sido convidada para ir para Santa Catarina, jogar xadrez pela cidade de Blumenau ou Itajaí. Tive que optar ficar por aqui mesmo. Já havia completado 20 anos e acabara de passar no Vestibular da UNI-Rio optando em ser Enfermeira.
Creio, que o jogo de xadrez, conseguiu fazer com que me soltasse mais.. Fazíamos amigos em outras cidades, e nos comunicávamos por carta, pelo Brasil a fora… Pena não tinhamos Internet……..  rsss… mas mesmo assim tinha o chamado xadrez epistolar, que tbm poderia ser jogado, embora com um certo atraso…
Tive uma infância muito difícil… e o xadrez me proporcionou sair de casa… conhecer pessoas… vislumbrar maiores horizontes, como é de praxe acontecer com o esporte de um modo em geral.
Os torneios mais significativos foram os Brasileiros, e o Campeonato Brasileiro Universitário no Rio de Janeiro , em que sacrei-me Campeã – com a arbitragem de Frederich Salamon, no qual tornamo-nos muito amigos….ele era um grande incentivador.
O jogo de xadrez tem um papal relevante para a formação da juventude de uma maneira geral, proporciona uma visão mais ampla, inclusive para a vida prática. Ajuda-nos a tomar decisões rápidas, e desenvolver o raciocínio, e o intelecto inclusive matemático!
Apoio iniciativas educacionais, em que o coloca como disciplina obrigatória. Por que ensina regras de convivência… e amplia o horizonte dos jovens, tão influenciados pela mídia maledicente, e de má índole.
O xadrez me proporciona ótimos vínculos de amizade… e, espero conseguir jogar ainda por mais algum tempo… mesmo não sendo lá, tão boa jogadora assim!!! ainda estudo até hoje!! e acho que nunca poderia parar, acontece com todo enxadrista, a literatura é vastíssima.

ENTREVISTA 62 - DAMA EM XEQUE! LARISSA YUKI ICHIMURA GONÇALVES BARBOSA

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
https://xadrezfeminino.wordpress.com/2013/07/16/dama-em-xeque-larissa-yuki-ichimura-goncalves-barbosa/


DAMA EM XEQUE! LARISSA YUKI ICHIMURA GONÇALVES BARBOSA

A jovem Larissa Ichimura conquistou recentemente o título de Campeã Brasileira Sub-20 2013. Na última semana, foi campeã juntamente com sua equipe de São José dos Campos na categoria Feminino Livre 1ª divisão na fase regional dos Jogos Abertos do Interior de SP. Está entre os 20 melhores enxadristas sub-16 do Brasil (sendo a nº 2 no feminino) e entre as 40 melhores enxadristas sub-16 das Américas. Conheça um pouco mais sobre a sua vida e o xadrez ;)  
ImagemMeu nome é Larissa e eu tenho 15 anos. Mais ou menos aos 6 anos fui introduzida por uma amiguinha, gostei do jogo, o Professor Wlamir Ursini, fundador da ONG Caminho do Sol daqui de Santo. No colégio onde eu estudava não tinha aulas então eu jogava em uma garagem com o meu primeiro professor que me ensinou como movimentar as peças. Comecei a jogar os campeonatos escolares de Santos e depois de um tempo comecei a ganhar. Foi diferente quando eu comecei a jogar torneios fora da minha cidade, em 2007 ganhei o Paulista sub-10. Foi bom porque eu vi que era possível e também me levou a ver que eu precisava treinar pra conseguir. ImagemCom isso, ganhei uma bolsa de estudos em um colégio que incentivava muito o esporte. Em 2010 eu joguei o Pan, que foi aqui no Brasil, eu me saí melhor do que esperava e acabei ficando em 15º. Em 2011, eu ganhei o Paulista, o Brasileiro e fui pra Colômbia jogar o meu primeiro torneio fora, joguei também o Mundial. Não fui muito bem no Mundial mas foi bom ter participado, eu vi o que era se dedicar ao xadrez. ImagemEm 2012 comecei o 1º ano do ensino médio em uma escola em que eu queria muito estar e foi muito difícil, consegui ganhar o Paulista sub 18, joguei os Regionais e os Abertos pela cidade de São José dos Campos e foi uma experiência maravilhosa. Em 2013, eu ganhei pela segunda vez o Paulista 18 sendo do sub 16. Joguei o FENAJ sub-18 em Manaus e fiquei em 3º.
ImagemUma semana depois de Manaus fui pra Paranavaí, perdi o ônibus, o metrô quebrou, havia muito trânsito, chegando no hotel de manhã cedo descobri que só podia entrar no quarto 12hrs com a primeira rodada marcada para 14 hrs. No primeiro dia marquei 0,5 em 2. Continuei jogando, ainda tentando vencer e aceitar o que viesse, sabia que seria difícil o 1º lugar pois estava sempre 1,5 atrás da líder. Eu não acompanhei bem o torneio apenas via o meu emparceiramento e jogava. Na penúltima rodada joguei na mesa 1 e venci, então eu vi que se ganhasse iria disputar nos critérios o pódio ( não sabia que o primeiro critério era confronto direto ). Foi uma partida tensa e eu sentia a surpresa dos expectadores afinal há duas rodadas atrás eu não tinha nenhuma chance, e eu acabei ganhando. Terminei o torneio em 1º lugar, foi bom mas eu acredito que eu tive muito sorte,todas as meninas jogaram muito bem.
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Eu sou muito grata a todos que tornam meus sonhos possíveis, principalmente ao Sega, que tem toda a paciência pra me ensinar e à minha mãe, que sem ela nada disso seria real. Muito obrigada Ellen, por me deixar partilhar um pouco de mim aqui no blog e por divulgar o xadrez feminino.

ENTREVSTA 61 - DAMA EM XEQUE! WCM VANESSA GAZOLA.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
https://xadrezfeminino.wordpress.com/2013/07/31/dama-em-xeque-wcm-vanessa-gazola/


DAMA EM XEQUE! WCM VANESSA GAZOLA

WCM Vanessa Gazola é atualmente a nº 5 do Brasil e representou o Brasil nas três últimas edições das Olimpíadas de Xadrez promovidas pela FIDE.  Tive o prazer de conhecê-la quando iniciou no xadrez e jogamos na mesma equipe algumas vezes. Conheça um pouco mais sobre esta jogadora ;)Imagem
WCM Vanessa Gazola, em suas primeiras olimpíadas em Dresden-2008
Aprendi a mexer as peças na escola quando tinha 16 anos, meu professor de Educação física montou uma equipe para competir pelo colégio e levou a gente para treinar no Clube de Xadrez de Assis, na época dirigida pelo MF Carlos Martins. Eu fui a única que me interessei e frequentava regularmente as aulas. Então fui convidada para fazer parte da equipe de Assis para disputar os Jogos Regionais. Foi quando conheci o Álvaro, que estava jogando pela cidade de Marília, ele me levou para jogar por Marília e comecei a ter aulas com ele. Como dividia meu tempo com a faculdade me dedicava pouco ao xadrez.
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Nosso primeiro Jogos Abertos do Interior, representando Marília em Santos 2000 (3º lugar no sub-21): As irmãs Marciele e Daiana Primon, Vanessa Gazola e Ellen Giese
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Abertura das Olimpíadas de xadrez em Istambul, Turquia, em 2012
Somente em 2005 quando acabei a faculdade peguei gosto pelo estudo. Estudava em média 6 horas por dia, estava obcecada em jogar bem o Brasileiro daquele ano, e deu certo! Fiz um bom Brasileiro e achei que podia sonhar com uma vaga para a Olimpíada do próximo ano. Mas aquele brasileiro de 2006 foi a maior frustração que tive, cheguei  na última rodada precisando ganhar  de pretas da WIM Regina Ribeiro para conseguir a classificação, não era fácil, mas como tinha ganho dela no ano anterior estava confiante, mas depois de ficar completamente ganha acabei transpondo para um final com peão a mais empatado e vi o sonho da Olimpíada ir embora.
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Juliana, Vanessa, GM Magnus Carlsen, Tatiane e Vanessa: momento de tietagem
Depois de ficar um tempo sem querer ver o tabuleiro na frente me animei e voltei estudar, como recompensa joguei as 3 Olimpíadas seguintes! A mais marcante foi de 2010 na Rússia, quando tive o melhor desempenho da equipe fiz 5,5 em 8 perdendo apenas para  Zhao Xue da China.
ImagemMF Álvaro Aranha, WIM Juliana Terao, WFM Amanda Marques, WCM Vanessa Gazola e Jaqueline Pamplona, em Khanty-Mansiysk, Russia, em 2010.
Nunca acreditei que poderia ter chegado longe no xadrez, mas tive muito incentivo do Álvaro e agradeço a ele tudo que consegui até hoje.
ImagemGM Veselin Topalov e Vanessa 
ImagemTatiane Coelho, WCM Vanessa Gazola, WIM Juliana Terao, WIM Joara Chaves e WIM Vanessa Feliciano, equipe olímpica brasileira de 2008, em Dresden, Alemanha.

sábado, 3 de agosto de 2013

ENTREVISTA 60 - RALLYSON AGUIAR.

PESQUISADO E POSTADO, PELO PROF. FÁBIO MOTTA (ÁRBITRO DE XADREZ).

REFERÊNCIA:
http://cbxmuiraquita.blogspot.com.br/2012/01/entrevista-com-rellyson-aguiaro.html


SEXTA-FEIRA, 13 DE JANEIRO DE 2012

Entrevista com Rellyson Aguiar,o enxadrista do Mês

Esta é a primeira entrevista do CXM  pro quadro semanal "Enxadrista da Semana".Vamos ter a oportunidade de conhecer as opiniões de um dos enxadristas mais ativos no processo de popularização do xadrez em Santarém.Num clima descontraído Rellyson fala sobre as perspectivas do esporte xadrez no contexto municipal;dá prognósticos sobre o próximo campeão mundial que será conhecido ainda este ano e mais,por isso  não percam !!


Ok....senhor rellyson,pra começar eu te pergunto: o q te levava,o q te leva e o q te levará a sentar na frente de um tabuleiro e jogar xadrez ?

Bom, o que me levava: era a complexidade da mobilidade de peças e o movimento do jogo em si. O que me leva: é entender que a cada dia que passa eu aprendo mais e mais com este jogo. O que me levara é saber que além de sentar pra jogar eu também estou tentando ajudar a alavancar a prática deste esporte nesta cidade!!!!!!!!

Qual é o seu enxadrista predileto?e por que ?

Por ainda não ter estudado mais a biografia de outros enxadristas, pra mim é o Garry Kasparov, digamos porque eu acompanhei um pouco mais o seu lado enxadristico, além de ter lido um livro de sua autoria! Um livro bem interessante por sinal!

Como você define o seu estilo de jogo?

Tá ai uma coisa que sinceramente nao sei lhe responder. Por um lado acho que jogo posicional, mas por outro também jogo aberto com trocas de peças! Vc que já jogou comigo algumas partidas como definiria???

Eu respondo:

Se técnico for um estilo,esse seria  o seu;você demonstra nos seus lances que estudou xadrez ok.

 A que você atribui o fato do xadrez não se notório em Santarém ?

Bom!!, creio que seja a cultura. A cidade até dispõe de ótimos enxadrista, mas o apoio a eles e ao incentivo à pratica desse esporte ainda é muito pequeno! Acredito que desde 2009, quando o Governo Federal implantou o Programa Mais Educação no Brasil, o nosso sonho do xadrez expandido pela cidade começou a se tornar realidade. É a partir desse programa que nos veremos o futuro do xadrez em nossa cidade. Porque está começando com quem exatamente deve começar: as crianças.

O que você diria paras as pessoas ,que não sabem jogar e estão com vontade de aprender xadrez e que estão nos lendo agora?

Digo: Procurem o Clube de Xadrez Muiraquita. La temos enxadristas que poderão ensinar a jogar. Todos os domingos no Shopping Center 3o. piso a partir das 17:00 hr. O CXM também dispõe de professores, que fizeram capacitação para exercer essa função e atuam em algumas escolas municipais e estaduais aqui em Santarém.

Você prefere partidas com controle de tempo alto ou baixo?

Gosto dos dois tipos de controle de tempo, porém, gosto e prefitro  tempo curto!!!!

 Você tem alguma peça preferida ?

Sim. Cavalo. Pelas surpresas que ele pode fazer. "eheheh"(risos)

Quem você acha que vai ser o próximo campeão do mundo esse ano ? Anand ou Gelfand ?

Acho que ainda não vi nenhuma partida de Gelfand, porém, o Anand nos ultimos anos esta predominante juntamente com Magnus Carlsen. Acredito que Anand conseguirá manter o título.

Se motos fossem peças de xadrez,você poderia citar uma para cada uma das 6 peças diferentes do xadrez?

(risos) Essa é boa!!!! os peões poderiam ser as Pop 100; (risos) a Torre poderia ser uma CB 600cc; o Cavalo seria uma Lander 250cc; O Bispo seria uma XRE 300cc; a Dama seria uma Hayabusa 1100cc  (acho que é assim q escreve) e o Rei seria uma Harley Davidson. Acho que seria assim. Mas essa pergunta é muito engraçada e interessante, nunca tinha pensado nessa ideia. 

Pra finalisar tem alguma pergunta q eu devia ter feito e não fiz ?

Sinceramente não sei,mas creio que não.

Obrigado rellyson, pela oportunidade de te conhecer melhor!eu e todos os leitores do blog agradecemos !!!



Por Edin Oeiras.